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Sexta, 10 Julho 2026 16:37

Alegado cérebro do assalto ao BAI confessa crime e diz ter planeado ataque durante oito meses

Edson Euclides Simão de Andrade, conhecido por "Mandume", foi capturado numa operação conjunta entre o SIC e o SINSE. Suspeito confessou ter planeado o assalto durante vários meses e revelou que o grupo terá roubado cerca de nove milhões de kwanzas.

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) anunciou a detenção de Edson Euclides Simão de Andrade, de 32 anos, apontado como o principal mentor do assalto à agência do Banco Angolano de Investimentos (BAI), na Cidadela Desportiva, em Luanda, ataque que provocou a morte de um segurança e deixou outro ferido.

Conhecido no meio criminal pelas alcunhas "Bebucho", "Ti Bolo" e "Mandume", o suspeito foi capturado nas primeiras horas desta sexta-feira, 10, durante uma micro-operação conduzida pela Direcção Central de Operações do SIC, através da Secção Operativa Externa, em coordenação com o Serviço de Informação e Segurança do Estado (SINSE), a Direcção de Combate aos Crimes Contra o Património do SIC-Geral e o Departamento de Roubos e Furtos de Viaturas do SIC Luanda.

Segundo as autoridades, o alegado autor intelectual do assalto foi localizado no bairro Zona Verde I, no município de Belas, no interior da residência de um amigo, identificado como Filipe David Murima, conhecido por "Betão", agente da Polícia Nacional, de 26 anos, colocado no Comando Municipal de Talatona.

No momento da detenção, Edson Euclides Simão de Andrade encontrava-se na posse da alegada arma utilizada no homicídio do segurança Domingos António, de 60 anos. Trata-se, segundo o SIC, de uma pistola da marca Jericho, com duas munições.

Durante a operação, os investigadores recuperaram ainda 600 mil kwanzas, quantia que se presume fazer parte do dinheiro roubado durante o assalto.

Na residência foi igualmente apreendida uma pistola do tipo Star, com quatro munições, bem como um passe da Polícia Nacional que se encontrava na posse de Filipe David Murima. As autoridades deverão apurar a eventual responsabilidade criminal do agente no caso.

Confissão e preparação do assalto

Após a detenção, Edson Euclides Simão de Andrade confessou, durante interrogatório divulgado pelas autoridades, ter sido o mentor do assalto à agência do BAI, revelando que o grupo terá conseguido roubar cerca de nove milhões de kwanzas.

Segundo o suspeito, o plano começou a ser delineado depois de observar, durante a sua rotina diária, a chegada semanal da viatura de transporte de valores à agência bancária.

Durante um período de seis a oito meses, afirmou ter monitorizado os horários, o número de seguranças destacados para a operação e os procedimentos utilizados no descarregamento do dinheiro.

"Fiquei surpreendido porque só havia três seguranças e apenas um estava armado. A partir daí comecei a estudar a operação durante vários meses", declarou.

O alegado mentor afirmou ainda ter recrutado três comparsas, identificados como Mário Mussulumane da Silva ("Mário-Py"), Emanuel Mendes ("Cadifuba") e um terceiro indivíduo conhecido apenas por "Leva-2".

De acordo com as suas declarações, os quatro realizaram diversos reconhecimentos ao local e escolheram previamente os pontos estratégicos para assegurar uma fuga rápida em motorizadas após o assalto.

O suspeito negou qualquer fuga de informação proveniente do interior do banco ou da empresa responsável pelo transporte de valores, sustentando que toda a operação foi preparada exclusivamente com base na observação da rotina da agência. Acrescentou ainda que o grupo chegou a seguir a viatura blindada para identificar o percurso habitualmente utilizado.

Origem das armas sob investigação

Durante o interrogatório, Edson Euclides Simão de Andrade declarou que o grupo utilizou duas armas de fogo no assalto.

Relativamente à pistola que alegadamente utilizava, afirmou tê-la adquirido, em Dezembro do ano passado, na província de Benguela, por 350 mil kwanzas, a um indivíduo conhecido apenas por "Chefe Bandi", que, segundo as suas declarações, estaria ligado à Polícia de Intervenção Rápida (PIR).

As autoridades sublinham, contudo, que esta informação resulta exclusivamente das declarações do suspeito e não foi confirmada, continuando a ser objecto de investigação.

SIC procura três suspeitos em fuga

O assalto ocorreu na manhã de 8 de Julho, quando uma viatura de transporte de valores abastecia a agência do BAI na Cidadela Desportiva. A acção criminosa causou a morte de um segurança, feriu outro e provocou momentos de pânico entre funcionários e clientes.

Entretanto, o SIC mantém uma operação em curso para localizar e capturar os restantes elementos do grupo, identificados como Mário Mussulumane da Silva ("Mário-Py"), Emanuel Mendes ("Cadifuba") e "Leva-2", que permanecem em fuga.

As investigações prosseguem para apurar a responsabilidade criminal de todos os envolvidos, confirmar o montante exacto roubado à instituição bancária e esclarecer as circunstâncias em que as armas utilizadas no ataque foram adquiridas, bem como a eventual existência de outros cúmplices.

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