Quarta, 25 de Março de 2026
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Quarta, 25 Março 2026 19:25

Serviço Nacional de Identificação, Registos e Notariado admite corrupção na emissão de BI a estrangeiros

O Serviço Nacional de Identificação, Registos e Notariado admitiu a existência de funcionários do sector da justiça envolvidos em actos de corrupção na emissão de Bilhetes de Identidade (BI) a cidadãos estrangeiros, bem como na atribuição irregular de certidões de nascimento, numa altura em que menos de metade da população angolana dispõe do principal documento de identificação civil.

De acordo com o director nacional de Identificação e notário do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, Aristides Marques, apenas cerca de 17 milhões de cidadãos, num universo superior a 36 milhões de angolanos, detêm actualmente Bilhete de Identidade.

Em entrevista à Rádio Nacional de Angola (RNA), o responsável admitiu que vários funcionários foram alvo de processos disciplinares e judiciais por práticas ilícitas, incluindo a emissão indevida de documentos a cidadãos estrangeiros.

“Há um número elevado de colegas que sofreram processos disciplinares, alguns com a medida mais gravosa, devido à emissão leviana de bilhetes de identidade, inclusive para cidadãos estrangeiros”, afirmou Aristides Marques, sublinhando que tais práticas têm sido combatidas com abertura de processos e anulação de documentos atribuídos de forma irregular.

O dirigente descreveu a situação como uma “fase complexa”, chegando a referir-se a uma “crise de identidade”, perante casos que, segundo disse, desafiam a compreensão das autoridades.

Apesar dos constrangimentos, o Ministério da Justiça garante estar a investir na massificação do acesso ao Bilhete de Identidade, apontando como prioridade a atribuição do documento logo após o registo de nascimento, sobretudo para crianças nascidas em unidades sanitárias.

Segundo Aristides Marques, foi introduzido um sistema de “recolha única”, que permite gerar automaticamente o número do BI no momento do registo de nascimento, com o objectivo de assegurar que o cidadão saia já com o documento de identificação.

Ainda assim, o responsável revelou que existem actualmente cerca de 150 mil Bilhetes de Identidade por levantar nos serviços, situação que atribui, em parte, à falta de comparência dos cidadãos após a emissão dos documentos.

“O Estado faz um investimento significativo, mas muitos cidadãos deixam de levantar o bilhete depois de emitido, o que representa perdas consideráveis”, alertou.

Durante a entrevista, Aristides Marques esclareceu igualmente a obrigatoriedade de apresentação de identificação no processo de registo de óbito. Segundo explicou, é imprescindível que tanto o falecido como o declarante estejam devidamente identificados, como forma de evitar erros e eventuais conflitos legais.

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