Luanda – O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, aproveitou o Dia da Rádio Nacional de Angola, assinalado a 5 de Outubro, para lançar uma crítica dura ao modelo de funcionamento da emissora pública e defender uma reforma profunda da comunicação social estatal. Para o líder do maior partido da oposição, a data comemorativa "não apaga a sua herança": a RNA nasceu no tempo do partido único e nunca se libertou dele.
Na mensagem divulgada, Adalberto Costa Júnior afirma que a RNA nasceu antes de 1977, “no ventre do partido único MPLA”, e que nunca se libertou desse “cordão umbilical”. O dirigente sustenta que, mesmo após a abertura ao multipartidarismo, em 1991, a rádio pública continua “domesticada”, com a sua linha editorial condicionada pelo poder político. Recorda que os responsáveis pela emissora são nomeados pelo Presidente da República e que alguns dos seus quadros dirigentes chegaram a integrar o Comité Central do MPLA. O resultado, defende, é uma antena que reflecte o partido e não o país.
Jornalistas "reféns" de um sistema
O presidente da UNITA procurou, ainda assim, separar a crítica às estruturas da avaliação dos profissionais. Sublinhou que a posição "não é contra os jornalistas, técnicos, produtores e demais profissionais da RNA", e que é precisamente por reconhecer a importância do seu trabalho que defende a sua autonomia. Descreveu-os como profissionais com grande aptidão, mas "reféns" de um sistema que os empurra para um jornalismo afastado das normas, da verdade e da ética que estudaram. Recordou também que lutam por salários dignos e melhores condições de trabalho, num órgão financiado pelo erário público.
Angola em 109.º lugar
Para Costa Júnior, a questão ultrapassa a disputa partidária. O líder da UNITA invocou o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras, que em 2026 coloca Angola na 109.ª posição entre 180 países e aponta a predominância dos meios estatais no panorama radiofónico nacional.
O que propõe a UNITA
Perante este cenário, o partido defende uma reforma assente em quatro eixos:
━ Gestores dos órgãos públicos escolhidos através de mecanismos independentes e transparentes;
━ Maior autonomia editorial e de gestão;
━ Regras de financiamento que protejam o serviço público;
━ Instituições capazes de fiscalizar o poder em vez de dependerem dele.
Em concreto, a UNITA propõe retirar ao Presidente da República a competência de nomear os gestores, substituindo-a por um modelo com supervisão independente e validação parlamentar qualificada.
Eleições à vista
A mensagem surge numa altura em que, segundo o próprio dirigente, Angola "se aproxima de mais um momento eleitoral" e precisa de uma rádio pública onde Governo e oposição possam ser escrutinados. Costa Júnior enquadrou a proposta na defesa de uma alternância que não se limite à mudança de quem governa, mas que alcance as instituições que sustentam a democracia. A comunicação social pública, afirmou, é uma das primeiras a libertar da lógica de dependência.
Na conclusão da mensagem, o presidente da UNITA resumiu a visão do partido numa fórmula simples: não quer uma Rádio Nacional do MPLA, nem uma Rádio Nacional da UNITA, mas uma Rádio Nacional de Angola, "suficientemente livre para informar, suficientemente independente para questionar e suficientemente republicana para servir todos os angolanos".

