Segunda, 23 de Março de 2026
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Segunda, 23 Março 2026 13:03

Lourenço reforça controlo interno do MPLA e condiciona cenário de sucessão política

As mexidas levadas a cabo por João Lourenço, em 2024, na estrutura central do MPLA continuam a alimentar interpretações políticas que apontam para um reforço do seu controlo sobre o partido, numa fase em que a organização se prepara para o Congresso extraordinário de dezembro.

Diversas leituras indicam que estas alterações terão funcionado como um processo de afastamento de correntes internas desalinhadas com a orientação do líder. Nomes influentes, como Rui Falcão e Virgílio Fontes Pereira, deixaram os órgãos centrais, dando lugar a figuras vistas como mais próximas da actual liderança.

De acordo com o África Monitor, as mudanças aos estatutos aprovadas no último Congresso introduzem a possibilidade de separação entre a presidência do partido e a candidatura à Presidência da República, permitindo que o líder do MPLA não seja, obrigatoriamente, o cabeça-de-lista. Tal cenário poderá assegurar a continuidade de João Lourenço na condução do partido para além do seu mandato presidencial.

A mesma fonte sublinha que a morte de Fernando da Piedade Dias dos Santos, “Nandó”, afastou um dos raros dirigentes com capacidade política para disputar a liderança interna. Por outro lado, o general Higino Carneiro, frequentemente apontado como potencial alternativa, encontra-se politicamente fragilizado devido a processos judiciais, o que contribui para consolidar a posição de Lourenço.

Perante os limites constitucionais que impedem um terceiro mandato consecutivo, fontes políticas em Luanda admitem vários cenários para a sucessão. Entre os mais referidos figuram a manutenção de Lourenço à frente do MPLA, com influência decisiva na escolha do candidato presidencial; uma solução de alternância estratégica com eventual regresso posterior; a ascensão ao poder por via de uma vice-presidência reforçada; a indicação de um sucessor de confiança, acompanhada de um afastamento formal; ou, em última instância, uma eventual revisão constitucional que viabilize um novo mandato.

Entre os potenciais candidatos presidenciais mais mencionados surgem Manuel Homem, Adão de Almeida, Vera Daves e Pereira Alfredo. Todos apresentam perfis tecnocráticos, relativa juventude política e uma ligação próxima à actual liderança. A escolha deverá, ainda assim, depender da evolução do quadro económico e político nos anos de 2026 e 2027.

Entretanto, o MPLA anunciou, em Março, a redução de 14,5% dos membros do seu Comité Central, medida enquadrada no processo de reorganização interna. A direcção do partido assegurou igualmente que não estão previstas alterações estatutárias no IX Congresso Ordinário, marcado para dezembro deste ano.

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