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Quinta, 15 Fevereiro 2024 19:56

FLEC-FAC reafirma guerra em Cabinda e diz que apoios militares passam por Angola

O comandante da frente norte das FLEC-FAC, Boaventura Cardoso Tati, reafirmou a existência de “guerra” em Cabinda, revelando que os apoios militares passam pelos portos de Luanda e do Lobito e pelo Aeroporto Internacional 4 de fevereiro.

Falando ao programa “Discurso Direto” da Rádio Ecclesia, emissora católica angolana, Boaventura Cardoso Tati frisou que a presença de militares das Forças Armadas Angolanas (FAA) em Cabinda desmente as versões oficiais, que negam o conflito.

“Quando se diz que não existe nada em Cabinda é pura mentira, [porque] se não existisse nada em Cabinda, porque é que existe a presença militar em Cabinda? Há muita tropa na floresta do Maiombe, saindo de Dimuca até Buco Zau, ao longo de toda a estrada vamos encontrar posições militares”, referiu Boaventura Cardoso Tati, que diz ser um comandante de terreno e não "de gabinete”.

Segundo este comandante das Forças Armadas de Cabinda (FAC), braço armado da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), as forças angolanas estão posicionadas ao longo da fronteira de Angola com a República do Congo e também com a República Democrática do Congo (RDCongo).

“Se não existisse guerra em Cabinda não haveria a presença maciça da tropa angolana em Cabinda”, comentou, salientando que os combates são realizados à medida das condições logísticas.

De acordo com Boaventura Cardoso Tati, a organização recebe ajuda alimentar da população local e apoio militar do exterior, sem revelar a origem, que passa pelos canais oficiais de transporte angolano.

“Só temos dois países que sustentam a guerra em Cabinda, o primeiro é a própria Angola, porque o material militar que a gente utiliza vem do porto de Luanda, passa pelo aeroporto 4 de Fevereiro para Cabinda, passa pelo porto do Lobito e, segundo, a nossa logística vem do próprio povo de Cabinda, (de) que a gente se alimenta”, referiu.

“Nós não temos cooperação militar com a Rússia, [mas] nós usamos AKM, usamos ‘rockets’, vêm de onde?”, questionou, negando apoios dos dois Congos, vizinhos de Angola.

Desde 1963, altura em que se fundou a FLEC, foi criado “o projeto de libertar o povo de Cabinda e o mesmo se mantém”, afirmou Boaventura Cardoso Tati, que considera a classe de intelectuais da província “a maior desgraça que o povo de Cabinda tem”.

Como exemplo, apontou o caso do ex-padre Raul Tati: “ora é Mpalabanda [antiga organização cívica e de defesa dos direitos humanos de Cabinda], ora é padre e hoje é o primeiro-ministro do governo sombra [da UNITA, maior partido da oposição de Angola]”, criticou.

Boaventura Cardoso Tati defendeu que a solução para os conflitos em Cabinda passa pela independência do território, realçando que a província petrolífera vive uma guerra de libertação e não uma guerra civil.

As riquezas da província devem beneficiar a população local e “isso não acontece em Cabinda”, prosseguiu o comandante - que esteve pela última vez na cidade de Cabinda em 2008 -, desvalorizando os investimentos feitos pelo Governo nos últimos anos naquela parcela do território angolano.

“As riquezas não podem nos dividir, temos que partilhar as mesmas riquezas, eu tenho que dar pão ao outro e isso não acontece em Cabinda”, referiu, salientando que se os políticos angolanos reconhecessem “que Cabinda não faz parte de Angola (…) pode-se criar entendimento”.

O comandante admitiu que qualquer solução de conflitos passa pelo diálogo, manifestando abertura para “um diálogo franco e aberto”, mas com uma nova geração do MPLA, partido no poder, escusando-se a abordar o caso com a atual governadora da província, Mara Quiosa.

“Ela não tem capacidade de resolver o caso de Cabinda, o caso Cabinda é lá na cidade alta [Presidência] e lá no Futungo, no complexo do MPLA, são estas as duas casas onde está a chave de Cabinda”, sublinhou.

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