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Terça, 14 Novembro 2023 17:18

27 de maio de 2017: Ossadas de Eduardo Ernesto Gomes "Bakalof" serão entregues amanhã

As ossadas do general do exército Eduardo Ernesto Gomes "Bakalof", vítima do massacre de 27 de maio de 1977, em Angola, serão entregues à família nesta quarta-feira, 14, pela Comissão Angolana para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), numa cerimónia presidida pelo ministro da Justiça e Direitos Humanos, Marcy Lopes.

Para quinta-feira, estão previstos o velório e uma série de homenagens ao general assassinado pelas forças do regime na ocasião.

A cerimónia é mais um capítulo deste processo que visa reconciliar parte de uma fase recente da história angolana.

A 26 de Maio de 2021, na véspera do 44º aniversário do massacre de 1977, o Presidente João Lourenço pediu perdão e criou a CIVICOP.

Desde então, a Comissão entregou as ossadas do chamados "fracionistas" Nito Alves, Monstro Imortal, Sianouk e Ilídio Ramalhete, esses ligados ao MPLA.

Também foram entregues e inumadas as ossadas do antigo secretário-geral da UNITA, Alicerces Mango, e do chefe da delegação deste partido na Comissão Conjunta, Salupeto Pena.

Entretanto, a 22 de março, familiares de algumas das vítimas do massacre divulgaram em Lisboa uma "Carta a Angola", na qual revelaram que testes de ADN feitos às ossadas entregues não conferem com as dos seus pais e familiares assasinados.

"Foi com espanto e dor ... que se concluiu que nenhuma das amostras corresponde aos cadáveres", disseram na carta.

"Incrédulos, perguntamos porquê que nos fazem isto" Porquê que nos fizeram isto? Não chegou terem-nos imposto uma vida familiar amputada, sempre marcada pela tristeza da perda dos nossos país? Não bastou o Estado ter demorado mais de 40 anos - mais do que a idade da maioria das vítimas - para tentar assegurar às vítimas o direito à identidade", escreveram os "orfãos da associação M27", na carta.

O massacre

A 27 de Maio de 1997, uma alegada tentativa de golpe de Estado supostamente liderada pelo antigo ministro do Interior, Nito Alves, expulso do MPLA uma semana antes, foi fortemente reprimida pelas forças de segurança leais ao então Presidente Agostinho Neto, com apoio das tropas cubanas, na altura estacionadas em Angola.

O movimento passou a ser conhecido por “fracionanismo” e foi completamente dizimado.

Várias fontes estimam que cerca de 30 mil pessoas poderão ter sido mortas. VOA

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