Quinta, 29 de Setembro de 2022
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Quarta, 25 Mai 2022 20:28

Reconhecimento P-DJANGO de Dinho Chingunj levanta suspeitas de favorecimento

O anúncio, nesta segunda-feira, do reconhecimento do P-DJANGO como o mais recente partido pelo Tribunal Constitucional (TC) está a alimentar as suspeitas de favorecimento do projecto político de Dinho Chingunji.

Por Ilidio Manuel

Embora a decisão não tenha causado surpresa em algumas correntes de opinião, estas convergem no sentido de que o objectivo desse reconhecimento terá como fim último legitimar uma força política que poderá hostilizar a UNITA nas eleições de 2022, tendo em conta que Dinho Chingunji está há anos em rota de colisão com o seu antigo partido. Acredita-se que o partido do ex-dissidente da UNITA será usado para explorar ao máximo o passado de guerra do maior partido da oposição, já que vários membros da família Chingunji foram assassinados às mãos de Jonas Savimbi.

Com a morte do líder fundador da UNITA, em Fevereiro de 2022, Dinho Chingunji não fez rupturas com o seu partido, tendo inclusive o representado no extinto Governo de Unidade Nacional (GURN) onde chegou a ocupar o cargo de ministro de Hotelaria. Em vésperas da extinção do GURN e da sua iminente exoneração do cargo de ministro, Dinho ainda ensaiou sinais de aproximação ao MPLA, mas que não surtiram efeito. É neste âmbito que a legalização da nova formação tem levantado suspeitas de um certo favorecimento por parte do TC e, por arrasto, do próprio MPLA, já que o P-DJANGO é um projecto político quase sem nenhuma expressão ou alguma visibilidade no cenário político angolano.

Questiona-se, por exemplo, como Dinho Chinguiji, um político sem carisma, que só dá nas vistas em vésperas eleitorais, mais concretamente em campanhas de diabolização do seu antigo partido, conseguiu legalizar a sua formação política, ao contrário do carismático Abel Chivukuvuku, cujo embrião político, o PRA-JA-Servir Angola, foi em distintas ocasiões chumbado pelo TC. Alguns observadores estimam, porém, que o partido de Dinho venha a fazer parte de uma coligação encabeçada por Quintino Moreira visando fazer frente à FPU, que tem à testa Adalberto Costa Júnior.

A concretizar-se este cenário, o MPLA estaria, à distância, a movimentar os seus peões no tabuleiro eleitoral, que receberiam em troco alguns assentos no futuro Parlamento. Pairam suspeitas de que dois outros projectos políticos de dissidentes do do Galo Negro, nomeadamente de Bela Malaquias e Mfuka Muzemba venham também a ser reconhecidos pelo mesmo tribunal superior, no âmbito de uma suposta estratégia de desacreditação e subtracção de votos à UNITA.

Camunda News

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