Sábado, 21 de Mai de 2022
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Sexta, 10 Dezembro 2021 16:51

Discurso de João Lourenço na Cimeira sobre a Democracia não fala da liberdade de imprensa

Na mensagem que quinta-feira dirigiu aos homólogos com que participa da cimeira virtual sobre Democracia, uma iniciativa do presidente Joe Biden, o chefe de Estado angolano destacou, entre os feitos da democracia interna obtidos apenas nos últimos quatro anos, uma firme aposta "na adopção de medidas no plano político e jurídico, que nos conduzam à eliminação de tudo o que possa condicionar e limitar o esforço de consolidação das conquistas democráticas em Angola”.

O jornalista e analista político, Graça Campos, recorda que João Lourenço falou da tomada de "iniciativas firmes por forma a conferir ao poder judicial capacidade para exercer, em condições de absoluta independência, o seu papel no quadro do combate às más práticas de governação, à corrupção e à impunidade, para que se consiga, por esta via, garantir a moralização da sociedade e a credibilização das instituições nacionais, aos olhos da opinião pública interna e internacional".

Falou ainda da intervenção "mais activa" da mulher "em todos os sectores da vida nacional do país" e "progressos que vêm sendo feitos para promover a actividade empresarial privada, incentivar a livre iniciativa e o empreendedorismo, fomentar a produção interna de bens e de serviços, promovendo a diversificação da economia, para o incremento das exportações e o fomento do emprego".

No entanto, para Graça Campos, um dos pilares mais importantes dos Estados Democráticos de Direito, a liberdade de imprensa esteve completamente ausente da mensagem do Presidente João Lourenço.

O jornalista, alerta que essa omissão, que dificilmente pode ser tomada como involuntária, deve ser tomada como indicadora de que a liberdade de imprensa, em Angola, vai ter de aguardar por dias melhores. E que a crescente instrumentalização e descredibilização da comunicação social pública fazem parte do pacote governativo em marcha..

Para esquecer

Graça Campos, defende que para evitarem males maiores a si próprios, é prudente que os angolanos se esqueçam definitivamente de um certo compromisso, feito no dia 26 de Setembro de 2017.

Na altura, vale lembrar, João Lourenço dizia que neste mandato, o governo poderia assegurar um maior investimento público no sector da comunicação social, de modo que os angolanos tenham acesso a uma informação fidedigna em todo o território nacional.

O apelo era também no sentido de "os servidores públicos manterem uma maior abertura e aprenderem a conviver com a crítica e com a diferença de opinião, favorecendo o debate de ideias, com o fim último da salvaguarda dos interesses da Nação e dos cidadãos".

De salientar que, o Presidente da República, João Lourenço, participou nesta quinta-feira, 09 de Dezembro, em formato virtual, na Cimeira Sobre Democracia que reuniu dezenas de líderes mundiais, numa iniciativa do Presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden.

João Lourenço, figurou entre o grupo de dezassete (17) Chefes de Estado africanos a quem o Presidente norte-americano fez o convite para discutirem o estado da Democracia no Mundo, com o envolvimento de vários outros estadistas ao redor do planeta.

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