Terça, 01 de Dezembro de 2020
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Quarta, 28 Outubro 2020 09:17

UNITA desafia um debate livre entre ACJ e JLO para discutir os acontecimentos em Angola

O maior partido da oposição, UNITA, através de um comunicado que Angola24Horas teve acesso, nesta terça-feira, 27, desafiou os órgãos de comunicação social angolanos, à realização de um debate televisivo entre os líderes dos maiores partidos políticos, no sentido de as duas lideranças prestarem contas aos concidadãos.

De acordo com a nota, 28 anos depois, desde a institucionalização da democracia multipartidária e 18 anos da assinatura dos Acordos de Paz, o Estado democrático angolano vive, um momento histórico com enormes desafios social, económico e político, sendo visível o claro retrocesso na pluralidade da Comunicação Social, que é um barômetro e dos principais pilares do Estado Democrático e de Direito.

"Com efeito, de há uns meses a esta parte, testemunhamos a tomada pelo Estado de uma grande parte, senão mesmo a totalidade, dos órgãos de Comunicação Social que se afirmavam privados e que, de certa forma, emprestavam alguma pluralidade editorial à Comunicação Social em Angola", observa.

Conforme a nota, pelo papel que a Comunicação Social desempenha numa sociedade democrática, o monopólio desta pelo Estado angolano visa adiar a consagração da democracia efetiva e da alternância no poder que é o desejo mais profundo de todos os angolanos. As orientações do Presidente da República João Lourenço aos órgãos da Comunicação Social comprometem o pluralismo de informação.

"Assistimos com preocupação a TV ZIMBO, outrora tida como mais aberta à pluralidade de informação, transformar-se em instrumento de grave, perigosa e extrema intoxicação da opinião pública", refere.

O Secretariado Executivo do Comité Permanente denunciou veementemente a agressão à ética e a deontologia da comunicação por parte da TV Zimbo ao promover entrevistas em telejornais a agente publicamente confirmado como membro da polícia política do regime, com o único propósito de desferir encomendadas calúnias, insultos e inverdades contra o Presidente da UNITA, um ente constituinte do Estado democrático em Angola.

Esse facto, diz a nota, vem provar a existência de uma inconfessa agenda da nova tutela da TV ZIMBO como ente do Estado, contra a Direcção da UNITA. Não é normal e aceitável que a TV ZIMBO tenha no seu telejornal aos domingos um residente permanente do MPLA e que se trate regularmente assuntos da UNITA, sem convidado que a represente e sem o direito ao contraditório.

A UNITA afirma estar convencida que o actual momento é uma oportunidade a não perder, para vincar os fundamentos do Estado Democrático e de Direito, visto que os factos ocorridos na manifestação de 24 de Outubro de 2020, são, sem dúvida, um grande sinal de alerta para as lideranças políticas que são chamadas a assumir prontamente as suas responsabilidades para com a História.

"É uma oportunidade que clama por um diálogo envolvente, por meio de debates televisivos, entre os líderes dos maiores partidos políticos e não só. Desta forma, face à face, sob o testemunho dos angolanos e também a opinião pública internacional os líderes comunicariam sua visão sobre vários aspectos da vida colectiva e orientariam a conduta a tomar pelos seus seguidores, simpatizantes, e o povo em geral", reconhece UNITA.

Lê-se ainda que, este exercício mediático ajudaria a dissipar os fantasmas do passado que ainda são alimentados por pessoas de má fé. A UNITA coloca a todos os órgãos de televisão, que até são do Estado, o desafio de convidarem o Presidente da UNITA e o Presidente do MPLA para um grande debate construtivo e positivo, prática comum nas democracias onde as líderes prestam contas aos seus concidadãos.

"Seria aquele momento, o início de uma nova éra no relacionamento entre a Comunicação Social e as lideranças políticas e, por efeito multiplicador, para com toda a sociedade num Estado que se quer verdadeiramente Democrático de Direito", enfatiza afirmando que a UNITA prova, todos os dias, a sua prontidão de trabalhar com todas forças vivas da sociedade para operar a mudança que o país há tanto almeja.

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