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Sábado, 03 Novembro 2018 09:39

Governo diz que operação que expulsou congoleses do país é contra garimpo ilegal

O ministro das Relações Exteriores de Angola disse hoje que a "Operação Transparência", que combate o garimpo ilegal em sete províncias, não é dirigida a congoleses, sublinhando que o objetivo do Governo é travar a exploração indevida de diamantes.

"O Governo angolano tem consciência do que está a fazer. Esta operação visa atacar os fundamentos do garimpo. Não estamos contra nenhuma nacionalidade, nem contra a imigração ilegal", declarou Manuel Domingos Augusto, falando à imprensa em Maputo, no final de um encontro com o seu homólogo moçambicano, José Pacheco, no âmbito de uma visita de trabalho.

Em causa está uma operação iniciada pelas autoridades angolanas em 25 de setembro e que decorre em sete das 18 províncias do país - Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Bié, Malanje, Cuando Cubango e Uíje - e que visa combater a exploração indevida de diamantes.

De acordo com Manuel Domingos Augusto, a exploração indevida de diamantes na região está a ser protagonizada por redes de crime organizado, que estão a transformar àquela zona num Estado autónomo.

"Temos regiões onde a população é toda constituída por imigrantes e foi montada uma estrutura, com chefia e guarda armada. É um problema sério de segurança nacional", observou o governante angolano, acrescentando que o problema mais grave é a destruição ambiental provocada pela ação dos garimpeiros ilegais.

"As organizações não-governamentais, que estão sempre à espera de desgraças em África para poder ganhar dinheiro, começam a criar a imagem de que há uma crise humanitária. Já se começa a dizer que são necessários milhões para atender crianças que estão a ser deportadas massivamente. Mas, o Governo angolano sabe o que está a fazer", frisou Manuel Domingos Augusto

Dados avançados hoje pelo ministro das Relações Exteriores de Angola indicam que desde o início da operação 400 mil imigrantes ilegais congoleses foram repatriados.

"A operação policial vai continuar até que tiremos o último garimpeiro ilegal", concluiu o governante.

Na quinta-feira, o Conselho Norueguês para os Refugiados alertou para os "graves problemas" que se vivem na província do Kasai (sul da República Democrática do Congo) depois da "expulsão" de cerca de 360.000 cidadãos, o que tem agravado a crise humanitária na região.

Num comunicado enviado à agência Lusa, o CNR refere que o fluxo de cidadãos da República Democrática do Congo (RDCongo), além de estar a agravar a "já de si problemática crise humanitária" na região, pode "alimentar novos conflitos"

Em outubro, o CNR estima que tenham sido expulsos de Angola (o Governo angolano fala de "regresso voluntário" por se encontrarem em situação ilegal) 360.000 congoleses, situação que está enquadrada, segundo Luanda, na "Operação Transparência", que decorre desde 25 de setembro em sete províncias do país.

A maior parte dos congoleses agora "expulsos" de Angola são uma mistura de imigrantes de longa duração que trabalham no garimpo e de refugiados que deixaram a RDCongo durante o conflito regional que assolou o Kasai entre meados de 2016 e 2017.

A operação vai ser estendida a mais quatro províncias - Luanda, Bengo Cuanza Norte e Zaire.

Segundo os dados oficiais de Luanda, a operação registou a apreensão de mais de um milhão de dólares, 17.000 quilates de diamantes e 51 armas de fogo e o encerramento de centenas de casas de compra e venda de diamantes e de 91 cooperativas

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