Há uns dias que, citando – como alguém já o denominou – o Muhammad Ali da radiofonia, Guilherme Galiano, decorre uma «lavagem de roupa suja na praça pública» entre as antiga e actual administrações da Sonangol, sobre actos de gestão praticados nesta principal e recolectora empresa para o OGE nacional.
Porque foi JES não só quem institucionalizou a corrupção em Angola, como foi quem sempre fez tudo para garantir a impunidade de corruptos e corruptores, favorecendo sua família, amigos, grandes e pequenos grupos de generais que tratavam da lavagem do capital roubado no país em bancos estrangeiros, enquanto isto fintavam a nação angolana de que a crise foi motivada pela queda do petróleo.
A alta corrupção, que envolve os níveis mais altos da hierarquia dos Estados é um grande obstáculo ao desenvolvimento dos países.
A produção de petróleo em Angola poderá cair 21,8% até 2023. O aviso consta do relatório do mercado de petróleo da Agência Internacional de Energia (AIE).
E o que ficou provado?
A covardia, medo e hipocrisia dos que fingem que o contestam, também ficou bem claro de que JES é o MPLA e o MPLA é o JES, quanto aos restantes não passam de simples seguidores arrastados pela sua pujança segurança e confiança.
O termo "bicefalia" não é unívoco e, pois, deve-se distinguir-lhe os sentidos; "bicefalia", pode significar em primeiro ângulo, os valores essenciais que sustentam a coexistência de duas lideranças paralelas e coesas, expressas numa unidade de acção à luz dos mesmos interesses políticos e partidários.
Hoje, escrevo sobre os últimos desenvolvimentos à volta da sucessão presidencial no MPLA, porque, pelos últimos acontecimentos, momentos como estes devem ser registados e analisados para ler no futuro. Estes factos não podem passar assim sem registo, porque nunca, em 61 anos do partido que começou como movimento, a sucessão na sua liderança foi tão escrutinada, até por aqueles que não são seus militantes embora isso seja perfeitamente compreensível por ser o partido no poder desde 1975.
O antigo presidente Angola tinha prometido sair da política activa em 2018. Agora, propôs a realização de um congresso extraordinário do MPLA em Dezembro ou Abril. A tensão com o seu sucessor, João Lourenço, continua.