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Quinta, 31 Outubro 2013 18:28

Da dita “Parceria Estratégica”: A irrelevância do parceiro que está nu!

Angola é a terceira maior Economia da África Subsariana. De acordo com as Nações Unidas, a população Angolana apresenta uma taxa de crescimento demográfico de 3% ao ano. O que significa que Angola em 2013 tem uma população de  20 milhões de Habitantes e terá cerca de 24 milhões de habitantes em 2020. Considerando as necessidades da população Angolana a crescer, a nossa cooperação deve privilegiar gigantes económicos e não um  País minúsculo como Portugal que é um parceiro nu.

Que parceira estratégica poderemos ter com um País como Portugal que tem 10 milhões de habitantes nessa altura e é efectivamente um Estado vassalo da Alemanha nessa altura, recebendo instruções de Bruxelas? Se Portugal tiver que escolher entre a Europa e Angola escolhera a Europa porque ainda recebe 10 milhões de euros por dia da União Europeia. Isso prova que essa parceria  é um mito criado por elites que desconhecem os fundamentais das relacoes economicas.

A ideia de uma parceria estratégica com  Portugal que é um País falido na periferia Europeia revela o ridículo de sonhos revanchistas da nossa elite política. A nossa elite política tem “Daddy Issues” , sendo Portugal o País colonizador, a nossa elite política  quer mostrar ao Daddy  que tem dinheiro e é independente. Isso é uma visão redutora que não  tem em conta os interesses estratégicos de Angola de longo prazo.

Com o crescimento económico Angolano de cerca de 8% ano desde 2002 (Basta ler o último relatório do banco Mundial), o nosso País deve aliar-se aos Países emergentes , os tradicionais BRIC (Brasil, Rússia , Índia e China) e os outros como a Turquia, Malásia,  Coreia do Sul ,Indonésia, México, Vietnam entre outros.

O que é que Portugal tem para oferecer que não podemos obter de outros mercados com melhor qualidade e preço? Todas as nossas importações de Portugal são tecnologia da Alemanha, Franca , Reino Unido e EUA e não precisamos de nenhum intermediário para aceder a esses mercados. Ter vinho e azeitonas podemos ter de qualquer parte do mundo e isso não requer grandes inovações tecnológicas.

Nos sectores mais importantes da nossa economia , sendo o que paga as nossa contas: Petróleo e Diamantes, Portugal é inexistente e irrelevante.  Os nossos maiores mercados de exportação são os EUA, a China e a Europa, Portugal é quase inexistente como mercado para o Crude ou os Diamantes Angolanos. Portugal representa contudo um do maiores fornecedores para Angola com produtos que nem são Portugueses mas de outros Países com os quais podemos negociar directamente.

O que Portugal tem de único é a Língua e nada mais  (Isso é cultura e não enche a barriga de ninguém)

Fala-se muito da qualidade da construção Portuguesa em Angola por oposição à fraca qualidade da construção dos outros Países, mas quem já viu Empresas Portuguesas de Construção em Londres, Paris, Nova Iorque, Tóquio, Helsínquia, Estocolmo ou Berlin?

Há uma discrepância profunda entre a realidade do tecido empresarial Português  e o seu aparente sucesso  e  a qualidade que em Angola todos anunciam, incluindo Angolanos aparentemente viajados que no fundo querem é ter as suas contas bancárias protegidas em Portugal (Isso e que é a parceria estratégica para eles) .

Com excepção de 3 Empresas Portuguesas  (GALP, PT e EDP), o resto não tem qualquer capacidade de competir nos mercados mais competitivos do Mundo e por isso viram-se para Angola, onde nós aceitamos semianalfabetos vindos daquele rectângulo Europeu construírem mini-Impérios quando há Angolanos a passarem fome que nem têm oportunidade de emprego.

Se essas Empresas  Portuguesas são tão boas  como apregoam em Angola, porque que é não estão nos Países mais Desenvolvidos do mundo? Resposta: Porque só se safam em mercados como o Angolano onde recebemos toda a escumalha da Europa e  todos os soldados da fortuna que ao sinal de qualquer conflito social vão fugir aos 7 ventos.

Há 200 mil Portugueses em Angola e todas as semanas recebemos milhares Angola é um País com uma taxa de desemprego de 25% da população activa de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, sendo a taxa de desemprego real perto de 50% da população activa. Faz sentido importarmos escumalha da Europa quando metade da nossa população está desempregada?

Essa parceria só beneficia os desempregados Portugueses e serve para aumentar o ódio contra todos os estrangeiros que mesmo semianalfabetos vêem para Angola como Chefes e directores convidados pelos seus sócios Angolanos.

Angola deve  privilegiar  a cooperação com os verdadeiros Leviatãs económicos como a África do Sul, os EUA, a Alemanha, a Índia, China entre outros e esquecer essa parceria estratégica que soo serve para esconder dinheiro em Bancos Portugueses que estão falidos e só sobrevivem graças ao dinheiro do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia.

Essa cooperação com Portugal só foi denunciada por causa dos processos judiciais a decorrerem contra alguns indivíduos da nossa elite política. O nacionalismo Angolano está claramente adormecido e ninguém vai navegar essa onda porque quem promoveu essa  dita parceria estratégica esqueceu-se que Angola é a terra dos Angolanos e não de pessoas que  nos chamam de macacos e orangotangos. O Angolano deve estar em primeiro lugar sempre e quando se esquece isso, estamos a semear um furacão futuro.

Todos devemos dar as boas vindas a estrangeiros qualificados que venham ajudar o País e a ajudar a formar Angolanos mas não devemos aceitar pedreiros, carpinteiros e jardineiros de Portugal quando podemos formar em pouco tempo essas pessoas em Angola. E se é para recebermos estrangeiros qualificados devemos receber os estrangeiros das melhores Universidades e Empresas de mundo e não de Países de terceira categoria que estão falidos.

Ninguém conseguirá controlar a fúria popular contra estrangeiros inúteis que muitas vezes proferem discursos racistas em sítios privados da nossa Capital. Eu espero que haja uma correcção por parte das nossa elites por quando vier a onda nacionalista não haverá escapatória para ninguém e isso inclui todos os Partidos políticos Angolanos que hoje são controlados por  grupos de famílias  com sucessão hereditária que fazem todos cortejo na SIC Notícias a falarem mal um dos outros e esquecem-se que Angola está acima de tudo e de todos .

O Nacionalista Voraz.

Eduardo Malongo

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