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Quarta, 07 Janeiro 2026 14:14

Sucessão de João Lourenço vai ser relançada

Com o falecimento de Fernando Piedade dos Santos, Virgílio de Fontes Pereira, Álvaro Boavida Neto e Carlos Feijó emergem com possíveis candidatos a ocupar o lugar que será deixado vago por João Lourenço.

O falecimento inesperado de Fernando Piedade dos Santos (Nandó) vai obrigar a novas movimentações de bastidores no sentido de identificar o eventual sucessor do João Lourenço como líder do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) e, por esta via, candidato à presidência do país nas eleições gerais de 2027.

Virgilio de Fontes Pereira, ex-líder da bancada parlamentar do MPLA, Álvaro de Boavida Neto, que já foi secretário-geral do partido, e Carlos Feijó, jurista que chegou a exercer funções de ministro de Estado, são três nomes que entram na nova equação, sendo evidente que Higino Carneiro, o único a apresentar a sua candidatura, terá dificuldades em cortar a linha da meta em primeiro lugar.

Nandó, que foi ministro do Interior, primeiro-ministro e vice-presidente de Angola no consulado de José Eduardo dos Santos, e também presidente da Assembleia Nacional, já sob a vigência de João Lourenço, era tido como a figura capaz de fazer a quadratura do círculo. Nandó era bem-visto entre os "mais velhos", respeitado pelos jovens turcos do MPLA e até aceite pela UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), dado o papel que teve na defesa de militantes deste partido na sequência das eleições gerais de 1992. Nessa altura, com os resultados contestados pela UNITA, eclodiram graves confrontos em Luanda que lavaram a debandada de dirigentes do Galo Negro e Nandó evitou, por exemplo, a morte de Abel Chivukuvuku.

Fernando Piedade dos Santos ainda não tinha formalizado a sua candidatura, mas em outubro do ano passado havia saído da sombra ao participar na 2ª edição do Encontro Geracional - À Volta da Fogueira, promovido por uma estrutura do MPLA. Nessa intervenção, de uma só penada, Nandó apelou à unidade no interior do partido e também afastou da corrida às presidenciais candidatos mais novos, caso do ministro do Interior, Manuel Homem, dado como o preferido de João Lourenço.

Virgilio de Fontes Pereira foi afastado da liderança do grupo parlamentar do MPLA em fevereiro de 2024. Nessa ocasião, citado pelo Novo Jornal, afirmou: "Não sou marimbondo, nem sou incompetente. (...) Não tem nenhum conflito. Só eu e o Presidente é que sabemos". Desde então tem-se mantido discreto, sendo que o seu nome voltou à baila com o desaparecimento de Nandó. No seu currículo contam-se o exercício de funções como ministro do Urbanismo e Ambiente (2002-2004), ministro da Administração do Território (2004-2010) e secretário do bureau político do MPLA (2003-2009).

Álvaro Boavida Neto, por sua vez, foi secretário-geral do MPLA e governador das provincias do Bié e da Namíbia, e tem defendido que o MPLA deve estar aberto a procedimentos que permitam o surgimento de vários candidatos ao cargo de presidente do partido, sendo percetível um certo afastamento em relação à atual liderança.

Já Carlos Feijó tem peso no interior do MPLA e João Lourenço chama-o com frequência ao palácio da Cidade Alta para ouvir a sua opinião. Se mostrar vontade em ser presidente, é possível que consiga conquistar apoios relevantes.

Por ora, a única certeza é a de que a morte de Fernando Piedade dos Santos relançou a corrida à sucessão de João Lourenço.  Jornal de Negócios

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Last modified on Quarta, 07 Janeiro 2026 14:15