Terça, 28 de Abril de 2026
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Terça, 28 Abril 2026 17:35

Marcolino Moco desmente apoio a Higino Carneiro e denuncia manipulação política

O antigo primeiro-ministro angolano e ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, veio a público desmentir a sua alegada inclusão numa lista de apoiantes de Higino Carneiro como candidato à presidência do MPLA no próximo congresso do partido. A declaração foi feita através da sua página pessoal, onde classificou a situação como mais um exemplo de desinformação e manipulação política.

Segundo Moco, a existência dessa lista revela a actuação de “gabinetes de psico-social de ‘serviços secretos’ de funções completamente distorcidas”, que, na sua perspetiva, operam com o objectivo de impedir mudanças estruturais no país. O antigo governante critica a falta de lógica na alegação, sublinhando que deixou de militar no MPLA em 2009, não pagando quotas desde então.

“Como apoiaria eu qualquer candidato a presidente do MPLA, se não milito nem pago cotas desde 2009?”, questiona, recordando ainda o seu histórico de divergência com a linha política do partido. Moco afirma que, desde a sua saída, tem mantido uma posição crítica constante, com excepção do que descreve como uma breve e “ilusória ‘primavera lourencista’”, numa referência ao início do mandato do actual Presidente da República, João Lourenço.

O antigo primeiro-ministro denuncia também episódios de retaliação, ameaças e tentativas de silenciamento ao longo dos anos, alegadamente por parte de estruturas ligadas ao poder político. Na sua publicação, refere ainda práticas como a tentativa de “colocação de pães na boca”, expressão que sugere esforços para o condicionar ou cooptar.

Num tom simultaneamente irónico e crítico, Moco chegou a brincar com a possibilidade de se candidatar ele próprio à liderança do partido, referindo-se ao cargo como um “apetecido cadeirão”. Contudo, sublinhou que a situação em causa está longe de ser motivo de humor.

O político esclareceu ainda que a informação falsa terá sido difundida através de uma página no Facebook que se fazia passar pelo presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, mas que já foi identificada como sendo um perfil falso. De acordo com Moco, a manobra visaria “matar dois coelhos de uma só cajadada”: por um lado, alimentar a ideia de incoerência da sua parte e, por outro, insinuar uma alegada aproximação entre Higino Carneiro e sectores considerados adversários políticos do Presidente.

Para o antigo governante, este tipo de práticas contribui para um clima de desinformação e radicalização, prejudicando o debate político sério e transparente em Angola. “Uma ‘arte’ que tanto me entristece”, conclui.

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