Na cerimònia de inauguração, hoje, no Camama (Luanda), onde esteve também presente o Presidente angolano, Mário Oliveira sublinhou que o projeto "representa, acima de tudo, uma afirmação clara da soberania digital de Angola", garantindo que os dados sensivels do Estado e dos cidadãos permanecem "protegidos sob jurisdição nacional".
"Vivemos numa era em que os dados constituem um dos mais relevantes ativos estratégicos das nações. A sua gestão eficiente, o seu processamento seguro e a sua proteção são hoje determinantes para a competitividade económica, a transparência governativa e, sobretudo, para a salvaguarda da soberania nacional", afirmou.
Segundo o governante, o Data Center e a Cloud governamentais não se limitam a uma infraestrutura tecnológica, integrando uma estratégia mais ampla de modernização administrativa e desenvolvimento do ecossistema digital, com impacto direto na economia e nos serviços públicos.
O projeto insere-se num conjunto de investimentos estruturantes no setor, entre os quais o lançamento do satélite AngoSat-2, em 2022, a expansão da rede nacional de fibra ótica, com mais de 22 mil quilómetros, e a entrada em operação do cabo submarino internacional 2Africa, a par dos sistemas WACS e SACS.
"Estes investimentos estruturantes têm permitido consolidar uma base tecnológica sólida, capaz de suportar o crescimento económico, promover a inclusão social e acelerar a transformação digital em setores-chave, como a saúde, educação, segurança, indústria e administração pública", disse.
De acordo com o ministro, Angola conta atualmente com cerca de 17,5 milhões de subscritores de banda larga móvel e fixa e uma taxa de penetração móvel na ordem dos 75%, indicadores que, defendeu, exigem reforço da capacidade nacional de armazenamento e processamento de dados.
A nova infraestrutura deverá permitir "assegurar a hospedagem segura de dados em território nacional", reduzir custos operacionais, expandir o acesso aos serviços públicos digitais e reforçar a confiança dos investidores, além de impulsionar o ecossistema empreendedor e facilitar o acesso a recursos tecnológicos locals.
Mario Oliveira destacou o impacto na cibersegurança, com maior capacidade de monitorização e resposta a ameaças, num contexto em que "os ciberataques são uma constante".
Além disso, realçou, "os dados do cidadão são património do país" e "estarão melhor assegurados nessa materia da gestão dos seus dados pessoais".
No plano dos recursos humanos, reconheceu que a formação continua a ser um eixo central, Indicando que técnicos angolanos têm sido capacitados no estrangeiro, nomeadamente nos Emirados Árabes Unidos e na China.
"Com essa infraestrutura, vai ser possível caminharmos para o desenvolvimento de aplicativos próprios", disse, apontando para o potencial de desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial adaptadas ao contexto nacional.
A infraestrutura foi igualmente concebida para apoiar a modernização do setor da comunicação social, Incluindo a televisão digital terrestre e a gestão de conteúdos audiovisuals, reforçando a capacidade operacional da Televisão Pública de Angola e da Rádio Nacional de Angola.
A infraestrutura de armazenamento e processamento de dados do Governo contou com um investimento de cerca de 89 milhões de dólares (cerca de 85 milhões de euros), possuindo 208 racks estruturas físicas que alojam os servidores e equipamentos de rede e capacidade para 13,000 servidores virtuais (vCPU).
A infraestrutura destina-se ao armazenamento seguro de dados governamentais e à hospedagem de sistemas informáticos públicos, prevendo-se a migração das aplicações existentes e a disponibilização de mais de 80 serviços governamentais na nova plataforma.

