Muitos continuam a não entender a minha insistência na necessidade de Angola definir e concretizar uma coisa a que, em termos formais se pode dar designações tão diferentes como “pacto de transição”, “pacto de estabilidade”, “pacto pré-eleitoral”, “pacto de paz e reconciliação nacional profunda”, etc., etc.
Há imagens que falam mais do que discursos inteiros. Imagine um cão convidado a comer num prato farto, cuidadosamente preparado, quase irresistível. Mas ao lado, imóvel e vigilante, está alguém com um chicote na mão. O convite existe, o alimento também — mas a liberdade de comer não é plena. É condicionada pelo medo, pela possibilidade de punição, pelo olhar constante de quem controla o gesto.
As recentes cheias registadas na província de Benguela, particularmente na zona do rio Cavaco, voltam a expor uma realidade que, infelizmente, já não é nova. Trata-se de um fenómeno recorrente, cujas consequências poderiam ser mitigadas — ou até evitadas — caso houvesse maior rigor na implementação e fiscalização das políticas públicas.
O Presidente da República, João Lourenço, volta a ser alvo de críticas quanto à gestão da sua imagem e à coerência das decisões políticas, sobretudo no que diz respeito à utilização de infra-estruturas públicas de grande dimensão.
Todos nós somos de opinião de que as condições de vida dos angolanos devem melhorar, quer ao nível do emprego, salário, saneamento básico, infraestruturas, entre outros.