Domingo, 12 de Abril de 2026
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Domingo, 12 Abril 2026 16:00

EUA ameaça impor tarifas de 50% à China caso preste apoio militar a Teerão

O Presidente norte-americano ameaçou hoje impor tarifas de 50% sobre os produtos provenientes da China, caso Pequim preste ajuda militar ao Irão na guerra no Médio Oriente.

"Se forem apanhados a fazer isso, serão alvo de direitos aduaneiros de 50%, o que é exorbitante", disse Donald Trump na televisão norte-americana Fox News, após a estação CNN ter avançado a possibilidade de Pequim dotar Teerão de defesas antiaéreas.

A CNN indicou que a China estaria a preparar o envio deste tipo de armamento dentro das próximas semanas para o Irão, citando três fontes familiarizadas com questões de inteligência e defesa norte-americanas sob condição de anonimato.

Duas dessas fontes anónimas revelaram que existiam indícios de que a China está a tentar encaminhar os carregamentos através de países terceiros para ocultar a sua origem, acrescentou a estação norte-americana CNN.

Trump deverá deslocar-se a Pequim de 14 a 15 de maio, onde se reunirá com o homólogo chinês, Xi Jinping, após ter adiado uma cimeira anterior devido à guerra com o Irão.

Trump ameaça bloquear Estreito de Ormuz

Donald Trump, afirmou hoje que a marinha pode iniciar "imediatamente" um bloqueio de entradas e saídas de navios no Estreito de Ormuz, após o fim das conversações com o Irão, sem acordo.

"Instruí a nossa marinha para procurar intercetar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago portagens ao Irão. Ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar", declarou hoje Donald Trump, citado pela Associated Press (AP).

Trump disse ainda que os Estados Unidos estavam prontos para acabar com o Irão no "momento apropriado", sublinhando que as ambições nucleares de Teerão estavam no cerne do fracasso em terminar a guerra.

As negociações presenciais terminaram hoje de madrugada (em Lisboa), após 21 horas, deixando em dúvida um frágil cessar-fogo de duas semanas.

As autoridades norte-americanas disseram que as negociações falharam devido ao que descreveram como a recusa do Irão em comprometer-se a abandonar o caminho para uma arma nuclear, enquanto as autoridades iranianas culparam os Estados Unidos pelo fracasso das negociações, sem especificar os pontos de discórdia.

Nenhum dos lados indicou o que acontecerá após o fim do cessar-fogo de 14 dias, a 22 de abril, e os mediadores paquistaneses instaram todas as partes a mantê-lo.

Ambos disseram que as suas posições eram claras e colocaram a responsabilidade no outro lado, sublinhando o quão pouco a distância tinha diminuído ao longo das negociações.

"Precisamos de ver um compromisso afirmativo de que não procurarão uma arma nuclear e que não procurarão as ferramentas que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear", disse o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, após as negociações.

Já o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, que liderou o Irão nas negociações, disse que era tempo de os Estados Unidos "decidirem se podem ou não conquistar" a confiança dos iranianos.

Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra, a 28 de fevereiro, pelo menos 3.000 pessoas morreram no Irão, 2.020 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dúzia em estados árabes do Golfo, além de terem causado danos duradouros nas infraestruturas em vários países do Médio Oriente.

O controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz isolou em grande parte o Golfo Pérsico e as suas exportações de petróleo e gás da economia global, fazendo disparar os preços da energia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que o seu país vai tentar facilitar um novo diálogo entre o Irão e os EUA nos próximos dias.

"É imperativo que as partes continuem a cumprir o seu compromisso de cessar-fogo", disse Dar.

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