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Domingo, 04 Janeiro 2026 15:07

Venezuela: Gana condena "uso unilateral da força" que evoca "época colonial"

O Governo do Gana condenou hoje o "uso unilateral da força" por parte dos EUA contra a Venezuela, considerando que as declarações de Trump "evocam a época colonial e imperialista e estabelecem um precedente perigoso para a ordem mundial".

Num comunicado, o executivo pediu ainda a libertação do chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro.

"O Governo do Gana acompanha a situação na Venezuela com grande preocupação e sublinha que tais ataques ao direito internacional, as tentativas de ocupação de territórios estrangeiros e o aparente controlo extemo dos recursos petrolíferos têm implicações extremamente adversas para a estabilidade internacional e a ordem mundial", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros na nota.

Sobre as declarações do Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump - que no sábado anunciou que o país dirigirá a Venezuela até que possa ser feita "uma transição segura, adequada e sensata" e que as grandes empresas petroliferas americanas vão "entrar" no país sul-americano, a tutela considerou que "tais ambições coloniais não deveriam ocorrer na era pos-Segunda Guerra Mundial".

"Permitir isso significa colocar em grave risco a comunidade internacional e minar a soberania de todos os países", destacou a diplomacia ganesa, reafirmando o compromisso com o princípio da autodeterminação e mantendo firme a convicção de que "apenas o povo venezuelano deve determinar livremente o seu futuro político e democrático".

O comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Gana foi emitido após a União Africana (UA) ter evitado condenar diretamente a agressão dos Estados Unidos à Venezuela, apesar de ter pedido respeito pela ordem internacional e afirmado que os problemas internos da Venezuela devem ser resolvidos com um "diálogo politico inclusivo" entre a população.

A Africa do Sul, por seu lado, destacou que o ataque de Washington atinge "o principio da igualdade entre nações, enquanto o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil Pinto, afirmou, no seu canal no Telegram, ter recebido mensagens de apoio de países como Namibia, Burquina Faso, Libéria, Chade, Angola, Níger e Gâmbia.

Também o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, condenou hoje a detenção do Presidente da Venezuela pelos Estados Unidos durante uma operação militar realizada no sábado, em Caracas, considerando que constitui uma "clara violação do direito internacional".

"O lider venezuelano e a mulher foram capturados numa operação militar norte-americana de alcance e natureza invulgares. Tais ações constituem uma clara violação do direito internacional e constituem um uso ilícito da força contra um Estado soberano", afirmou o lider malaio, que pediu a "libertação imediata" de Maduro e Cilia Flores.

"Quaisquer que sejam as razões, a destituição forçada de um chefe de Governo em exercicio por meio de ações externas cria um precedente perigoso", destacou o lider asiático, que está a acompanhar "com profunda preocupação" a situação.

O governante sublinhou que as "mudanças abruptas de liderança" trarão "mais prejuízos do que beneficios" e pediu que seja o povo venezuelano a determinar o seu próprio futuro político.

"O compromisso construtivo, o diálogo e a desaceleração continuam a ser a via mais credivel para alcançar um resultado que proteja a população civil e permita aos venezuelanos perseguir as suas legitimas aspirações sem maiores prejuízos", afirmou, em comunicado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou no sábado uma operação "com sucesso em grande escala" em solo venezuelano, durante a qual Maduro e a mulher foram capturados e retirados do país.

Maduro e Cilia Flores foram transferidos para os Estados Unidos, onde o Presidente venezuelano passou a sua primeira noite detido no centro federal Metropolitan Detention Center, em Brooklyn.

Em Caracas, a vice-presidente Delcy Rodriguez assumiu interinamente a chefia do executivo por ordem do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela.

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