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Quarta, 25 Outubro 2023 14:26

Amnistia Internacional apoia declarações de Guterres e afirma que "disse a verdade"

O diretor-executivo da Amnistia Internacional, Pedro Neto, apoiou hoje as declarações proferidas pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que condenaram o ataque do Hamas a Israel mas lembraram que o povo palestiniano é reprimido há 56 anos.

“Disse a verdade”, afirmou Pedro Neto à agência Lusa, considerando “completamente desproporcional” a reação do embaixador de Israel junto da ONU, que pediu a demissão de António Guterres.

“Qualquer interpretação de condenar o sistema de ‘apartheid’ em que os palestinianos vivem e que é imposto por Israel não significa apoiar o terrorismo do Hamas. É completamente abusivo e desproporcionado fazer esta interpretação”, disse o diretor-executivo em Portugal da organização internacional de defesa dos direitos humanos.

O secretário-geral da ONU condenou na terça-feira, na abertura de uma reunião do Conselho de Segurança dedicada à situação atual no Médio Oriente, os “atos de terror” e “sem precedentes” realizados, em 07 de outubro, pelo grupo islamita Hamas em Israel, salientando que “nada pode justificar o assassínio, o ataque e o rapto deliberados de civis”.

No entanto, Guterres sublinhou ser “importante reconhecer” que os ataques do grupo islamita Hamas “não aconteceram do nada”, sublinhando que o povo palestiniano “foi sujeito a 56 anos de ocupação sufocante”.O embaixador israelita junto da ONU, Gilad Erdan, reagiu, exigindo a demissão imediata de Guterres e argumentou depois, em mensagem publicada nas redes sociais, que o líder das Nações Unidas “demonstrou compreensão pela campanha de assassínio em massa de crianças, mulheres e idosos”.

Mas, para o diretor-executivo da Amnistia Internacional, António Guterres “está a fazer bem o seu papel”, não podendo haver dúvidas “de que condena os atos de terror do Hamas” e “os abusos de direitos humanos do exército e do Governo de Israel para com o povo palestiniano”.

No entanto, continuou Pedro Neto, “esta polarização favorece tanto o Hamas como as autoridades israelitas porque nos distrai do essencial que é a proteção dos civis inocentes”.

A reação do embaixador de Israel foi considerada por Pedro Neto como desproporcional, mas não uma surpresa.

Quando António Guterres visitou o portão fronteiriço de Rafah, que liga o sul de Gaza e o Egito (o único acesso ao enclave palestiniano que não é controlado por Israel), Telavive acusou o secretário-geral da ONU de “estar a defender e a querer dar a ajuda humanitária aos terroristas”.

Uma declaração que “não faz qualquer sentido”, sublinhou o responsável da Amnistia Internacional.

“É óbvio que António Guterres não quer ajudar terroristas. (…) Aquilo que é preciso perceber é a intenção desta retórica diplomática tão ofensiva de todos os lados que estão envolvidos diretamente no conflito”, referiu.

Pedro Neto não se mostra preocupado com o impacto deste incidente na capacidade de Guterres em mediar o conflito em curso entre Israel e o Hamas.

“Creio que ele já não teria esta capacidade. É o secretário-geral das Nações Unidas e gere interesses diplomáticos de várias partes”, considerou.

Para o diretor-executivo da Amnistia Internacional, quem tem de ser abordado para mediar é “quem tem ascendente sobre o Governo de Israel e quem tem ascendente sobre o Hamas”, ou seja, os Estados Unidos, o Irão, o Qatar.

Israel admitiu que vai reavaliar as relações com a ONU, tendo já hoje recusado vistos a representantes das Nações Unidas.

Uma posição que leva Pedro Neto a lembrar que Israel não pode impedir o trabalho humanitário da ONU no conflito.

“O secretário-geral das Nações Unidas não é o ex-diretor executivo da WebSummit e portanto, o ascendente que Israel tem sobre o mundo das tecnologias e das empresas das tecnologias não é o mesmo que tem sobre as Nações Unidas”, frisou o responsável, numa referência ao caso de Paddy Cosgrave, que deixou a liderança do evento tecnológico após comentários sobre Israel.

“Se Israel impedir a entrada de ajuda humanitária está a incumprir e a ofender o Direito Internacional humanitário”, referiu, reforçando que “o Governo de Israel e o Hamas - as potências ocupantes e as potências do conflito - não estão isentas das suas obrigações perante as convenções de Genebra, nem estão isentas naquilo que diz respeito ao mandato do Tribunal Penal Internacional de Investigação de Crimes de guerra de ambos os lados”.

António Guterres indicou hoje, numa mensagem divulgada nas redes sociais, que “algum alívio humanitário está a chegar a Gaza”, mas lamentou tratar-se apenas de “uma gota no oceano das necessidades”.

Guterres nega ter justificado terror do Hamas

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, manifestou-se hoje "chocado com as interpretações erradas" das declarações que fez na terça-feira no Conselho de Segurança e negou ter justificado os atos de terror do Hamas.

"Isto é falso. Foi o oposto”, garantiu o ex-primeiro-ministro português.

“No início da minha intervenção de ontem (terça-feira), afirmei claramente – e passo a citar: 'Condenei inequivocamente os horríveis e sem precedentes atos de terror de 7 de outubro cometidos pelo Hamas em Israel. Nada pode justificar o assassinato, o ataque e o rapto deliberados de civis – ou o lançamento de foguetes contra alvos civis'", disse, repetindo parte do discurso que fez anteriormente no Conselho.

Guterres admitiu que falou das queixas do povo palestiniano, mas salientou que ao fazê-lo, também afirmou: “'Mas as queixas do povo palestiniano não podem justificar os terríveis ataques do Hamas'".

António Guterres afirmou na terça-feira, perante o Conselho de Segurança da ONU, que os ataques do Hamas "não vêm do nada" e lembrou que os palestinianos foram "sujeitos a 56 anos de ocupação sufocante", declarações que levaram o Governo israelita a pedir a demissão imediata do líder da ONU.

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