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Segunda, 21 Fevereiro 2022 19:49

Putin reconhece a independência dos territórios separatistas pró-Rússia na Ucrânia

O presidente russo, Vladimir Putin, se prepara para reconhecer nesta segunda-feira (21) a independência das regiões separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, anunciou o Kremlin, uma decisão que aprofunda a crise entre os dois países em um momento em que o Ocidente teme uma invasão russa.

"Em breve será firmado um decreto com tal efeito", informou a Presidência da Rússia. Segundo essa mesma fonte, Putin comunicou a decisão a seu colega francês, Emmanuel Macron, e ao chefe de governo alemão, Olaf Scholz, mediadores no conflito do leste da Ucrânia, que, segundo o Kremlin, "expressaram decepção" com o anúncio.

O presidente russo também fará em breve uma declaração na televisão russa, informou a imprensa estatal do país nesta segunda-feira.

O reconhecimento se refere à independência das autoproclamadas "repúblicas" de Donetsk e Lugansk.

Os líderes dos dois territórios separatistas pró-russos do leste da Ucrânia, Denis Pushilin da DNR (República Popular de Donetsk) e Leonid Pasechnik, da LNR (República Popular de Lugansk), pediram nesta segunda-feira ao presidente russo para reconhecer sua independência e ativar uma "cooperação em matéria de defesa".

Esta decisão põe fim ao instável processo de paz mediado pela França e a Alemanha, que previa a devolução dos territórios ao controle de Kiev em troca de ampla autonomia.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, respondeu a essas declarações nesta segunda-feira via Twitter anunciando a convocação iminente do Conselho de Segurança e Defesa Nacional. Kiev também exigiu uma reunião "imediata" do Conselho de Segurança da ONU diante da ameaça de uma invasão russa.

A ONU pediu a "todas as partes interessadas que se abstenham de qualquer decisão ou ação unilateral que possa minar a integridade territorial da Ucrânia", disse seu porta-voz, Stephane Dujarric, nesta segunda-feira.

"Destacamos nosso apelo à cessação imediata das hostilidades, à contenção máxima de todas as partes para evitar qualquer ação e declaração que agrave ainda mais as tensões", disse Dujarric, enfatizando que todas as disputas devem "ser tratadas com diplomacia".

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, afirmou no final de uma reunião de chanceleres em Bruxelas que vai colocar "o pacote de sanções na mesa dos ministros europeus" após a declaração de Putin.

As sanções da UE devem ser decididas por unanimidade pelos líderes da UE em uma cúpula que será convocada de forma extraordinária. Como Borrell acrescentou, "a unanimidade na questão da Ucrânia está garantida".

- Cúpula Lavrov-Blinken quinta-feira -

A Rússia anunciou nesta segunda-feira que suas forças de segurança eliminaram dois grupos de sabotadores ucranianos que se infiltraram em seu território e acusou a Ucrânia de ter bombardeado um posto de fronteira, declarações negadas por Kiev.

"Dois grupos de sabotadores do exército ucraniano foram para a fronteira russa (...) Durante os confrontos, os dois grupos de sabotadores foram atingidos. Um dos militares ucranianos foi capturado", disse o chefe do Serviço Federal de Segurança Russo (FSB), Alexander Bortnikov, durante a reunião do Conselho de Segurança.

Os países ocidentais temem que a intensificação dos combates nos últimos dias no leste da Ucrânia com separatistas pró-Rússia seja utilizada como pretexto por Moscou, que enviou 150.000 soldados para a fronteira ucraniana, para invadir o país vizinho.

A presidência francesa havia anunciado uma cúpula entre Putin e Biden no domingo, mas o Kremlin descreveu a ideia como "prematura".

No entanto, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse que se reunirá com seu colega americano, Antony Blinken, na quinta-feira.

A Casa Branca considera que a invasão da Ucrânia é iminente e acusa a Rússia de tentar "esmagar" o povo ucraniano.

Uma operação militar russa seria "particularmente brutal" e "custaria a vida de ucranianos e russos, sejam civis ou soldados", disse o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan.

Moscou nega ter planos de invadir a Ucrânia, mas exige garantias de que essa ex-república soviética jamais se juntará à Otan e o fim da expansão dessa aliança para suas fronteiras. Suas demandas até agora foram rejeitadas pelo Ocidente.

- "É a guerra, a verdadeira" -

Os separatistas informaram a morte de três civis nas últimas 24 horas, assim como a explosão de um depósito de munições na região de Novoazovsk, sobre o qual acusaram "sabotadores ucranianos".

Não foi possível verificar essas informações de forma independente.

As autoridades das duas "repúblicas" pró-Rússia" ordenaram a mobilização dos homens em condições de combater e a transferência de civis para a Rússia. Moscou informou nesta segunda-feira que 61.000 pessoas deixaram a região.


"É a guerra, a verdadeira", disse Tatiana Nikulina, de 64 anos, que está entre os evacuados da região de Donetsk para a cidade russa de Taganrog.

Os separatistas pró-Rússia que lutam contra Kiev mantêm um conflito no leste do país que provocou mais de 14.000 mortes desde 2014, agravado após a anexação da Crimeia ucraniana pela Rússia. AFP

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