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Quarta, 22 Junho 2016 09:28

Prática da bruxaria vai custar mais caro em Marrocos

A bruxaria, uma das práticas que deram e continuam a dar fama ao reino de Marrocos, será a partir de agora um ofício mais perigoso, depois que o governo multiplicou por dez as multas contra os actos de magia e feitiçaria.

O governo aprovou uma revisão do Código Penal em que subiu o valor das multas contra a magia, que será entre 100 e 500 dólares contra aquele que “exerça uma actividade de adivinhar, prever ou explicar os sonhos”.

A punição aplica-se de forma geral a toda a classe de bruxarias, enquanto as típicas videntes que percorrem a famosa praça de Marrakech lendo o destino dos turistas não costumam ser incomodadas pela lei.

A prática da feitiçaria é tão popular que custa ao país uma má fama internacional, especialmente no Médio Oriente. Em Abril, uma tentativa de assalto a casa de uma “chowafa” (vidente, ou bruxa por extensão) demonstrou a agressividade com que muitas pessoas perseguem um fenómeno que consideram herético. Apenas a  intervenção policial conseguiu evitar uma tragédia.

O que provocou a ira popular nesse caso foi que alguns moradores viram sair da casa da “chowafa” um gato que tinha os lábios costurados com fios porque levava na boca a foto de um homem: todo o marroquino sabe que essa feitiçaria é uma das mais recorrentes para submeter a vontade de uma pessoa.

Isso porque as práticas da feitiçaria são muito populares, mas ao mesmo tempo os seus autores são rejeitados socialmente. Uma ambivalência que se encontra na própria tradição islâmica, que admite o poder do mau-olhado e dos ‘djin’, ou génios, ambos mencionados no Alcorão, mas condena a prática da feitiçaria como um “pecado capital”.

Segundo um estudo publicado em 2012 pelo instituto americano Pew Research Center, 80 por cento dos marroquinos acredita no mau-olhado e 78 por cento confia no poder da bruxaria. Há duas figuras principais que se dedicam a este ofício em Marrocos. Uma delas é a chowafa “multitarefa” que prevê o futuro, cura o efeito de uma maldição ou um feitiço que ela mesma prepara para ferir alguém.

Juntamente com ela está o “fkih”, uma espécie de curandeiro religioso que usa o Alcorão para fins terapêuticos para curar pessoas que sofrem de mau-olhado, ou que estão habitadas por génios de que só poderão ser despejadas em sessões de exorcismo.

As duas figuras tornaram-se as mais capacitadas para curar os males sobrenaturais, e até mesmo doenças que noutros lugares seriam tratadas por psiquiatras e psicólogos.Quando um cliente visita uma chowafa, sai de lá com uma receita quase secreta de distintas substâncias para atingir os seus fins. A mistura será fornecida por um ervanário, presente em todos os mercados do país, cuja fachada é a venda de especiarias, plantas e frutos secos, mas que também vende peles ou líquidos de animais, ninhos de certos pássaros e outras substâncias.

Mustafá (nome fictício) é um destes especialistas da Medina de Rabat, e só fala em voz baixa e quase nunca a um jornalista. “Algumas pessoas vêm até nós com a receita de uma chowafa, outros preferem contar a sua doença e pedem-nos conselhos. É como ir até uma farmácia ao invés de um médico”, afirmou Mustafá, acrescentando que esta actividade pode gerar enormes lucros em apenas um dia.

Aço em pequenas lâminas, grãos de pedra de âmbar ou pedaços do ninho de uma cegonha são algumas das substâncias mais pedidas para curar doenças comuns, ajudar uma mulher a encontrar marido, eliminar o azar, trazer êxito profissional e até ganhar eleições.

O próprio Mustafá contou que foi vítima de um feitiço de uma ex-namorada que lhe impedia de sentir atracção por outras mulheres, até que visitou uma chowafa que lhe ordenou para atirar o aço e um talismã que preparou num braseiro e saltar sobre a fumaça para remover o mal. Após o salto, Mustafá logo encontrou outra namorada.

EFE

 

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