Sexta, 13 de Março de 2026
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Sexta, 13 Março 2026 10:07

Fraude: UNITA diz que problema das eleições não é a INDRA, mas o regime do MPLA

A UNITA diz que o problema da manipulação das eleições em Angola não é da empresa espanhola INDRA, que venceu concurso para gerir o sistema tecnológico das eleições gerais de 2027, "mas a natureza golpista do regime político do MPLA no País, que defrauda a vontade popular expressa nas urnas".

"O regime tem de ter vergonha. Se perdeu, tem que aceitar a derrota. Nas últimas eleições que a UNITA venceu, mostrou que o problema não tem nada a ver com a INDRA, mas com a natureza golpista do regime político do MPLA no País, que defrauda a vontade popular, roubando os votos", disse ao Novo Jornal o deputado da UNITA Joaquim Nafoia, reagindo à vitória da Indra que foi a vencedora entre quatro concorrentes ao concurso para soluções tecnológicas, realizado pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) angolana, para as eleições gerais de 2027.

"O que temos de fazer é controlar bem o nosso voto no dia das eleições. As actas têm de estar afixadas nas mesas e pedir bom-senso para que se respeite o voto do eleitor", acrescentou o deputado, que não afastou a possibilidade de o seu partido controlar e fiscalizar todas as acções da Indra durante o processo eleitoral.

Um outro deputado da UNITA, Faustino Mumbica, considera que "à luz da experiência das eleições anteriores, não é recomendável que a INDRA preste novamente assistência logística à CNE".

Segundo ele, o partido ainda não apresentou uma posição formal, mas anunciou que poderá pronunciar-se sobre o assunto em breve.

Em declarações aos jornalistas, o novo porta-voz da CNE, Manuel Camaty, disse que a CNE lançou, no final do ano passado, 10 concursos públicos para a contratação de bens e serviços para as eleições gerais do próximo ano.

Manuel Camaty disse que, terminados os concursos, 237 empresas apresentaram as suas propostas, das quais apenas 72 foram aprovadas para adjudicação.

"Queremos preparar as eleições com alguma antecedência e desta vez temos um tempo suficiente", disse Manuel Camaty.

Sobre a escolha da INDRA, que tem sido a fornecedora de solução tecnológicas nas últimas quatro eleições que Angola realizou, Manuel Camaty disse que as restantes concorrentes "não instruíram devidamente os seus processos", garantindo que o procedimento foi transparente.

A Indra tem sido contestada pelos partidos políticos da oposição e pela sociedade civil angolana por alegadamente "viciar os resultados" das eleições em Angola, realizadas em 2008, 2012, 2017 e 2022.

O porta-voz da CNE disse que foram realizados concursos para os "kits" dos agentes de educação cívica eleitoral, para aquisição de camisolas e bonés, para geradores e "kits" de iluminação, para viaturas ligeiras de passageiros, para georreferenciação, mapeamento, cadernos eleitorais, informação ao eleitor e credeciamento, meios informáticos, solução tecnológica, ração fria; material de apoio (mesas, cadeiras e tendas) e transporte e distribuição da logística eleitoral directa e diversa. NJ

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