O economista angolano António Estote considerou hoje que já era expectável a revisão em baixa do ‘rating’ da dívida soberana de Angola, devendo afetar negativamente o investimento e a renegociação da dívida com os seus credores.
O economista angolano Carlos Rosado de Carvalho considera que Angola não tem margem para pagar a dívida à China e que sem um acordo com o gigante asiático terá de haver "cortes muito violentos" na despesa.
A agência de notação financeira Fitch Ratings desceu hoje o 'rating' de Angola para CCC, indicando que há uma possibilidade real de Incumprimento Financeiro ('default'), devido ao significativo aumento da dívida pública e deterioração das finanças públicas.
Considera que os atrasos com a obtenção de divisas afetam a imagem do país e descredibiliza a classe empresarial para fora. Reconhece que o volume de negócios diminuiu 40% no primeiro mês de pandemia, ressalta, porém, que a procura por produtos tecnológicos aumentaram 25%.
Luanda tem agora de obter de todos os outros credores oficiais bilaterais, nomeadamente da China, um tratamento do serviço da dívida que esteja em linha com o acordado com o Clube de Paris.
O analista da Standard & Poor's, que manteve o 'rating' de Angola em CCC+, disse hoje à Lusa que a previsão de crescimento de 3% da economia para 2021 assenta em preços mais elevados do petróleo e mais investimento.
O Standard Bank Angola (SBA) vendeu as divisas mais caras dos bancos comerciais durante o dia de ontem, a 625,991 kwanzas por dólar e 737,448 kwanzas por euro, pressionando a taxa de câmbio em alta.