Os dados sobre as Reservas Internacionais do país e outros indicadores económicos foram avançados num encontro do BNA dedicado à apresentação do balanço e perspectivas da Política Monetária e Cambial a diversos actores económicos, governantes, académicos, importadores de bens e serviços da província de Benguela.
O governador do BNA vê as Reservas Internacionais como "extremamente importantes", visto que são um indicador da sustentabilidade externa da economia.
De acordo com ele, o valor das RIL registado no final de 2025 reflecte um aumento comparativamente ao ano anterior, cobrindo 7, 6 meses de importações.
Porém, Manuel Tiago Dias esclarece que os recursos usados para a importação de bens e pagamentos de serviços ao exterior, de uma maneira geral, não têm origem nas reservas internacionais.
Na prática, explicitou o responsável máximo do BNA que esses recursos derivam das compras que os bancos comerciais diariamente vão fazendo dos seus clientes, particularmente as empresas do sector petrolífero, diamantífero e clientes diversos.
No caso das Reservas Internacionais Líquidas, deixou claro que estas servem para situações extraordinárias, nomeadamente acautelar situações que poderão eventualmente ocorrer no futuro, como, por exemplo, alterações climáticas.
Daí ter afirmado ser necessário que haja à disposição do país recursos financeiros que permitam rapidamente fazer face às suas necessidades.
"E é por essa razão que no Banco Nacional de Angola nós prestamos uma atenção muito especial em função das nossas Reservas Internacionais", reforçou.
Crédito à economia real
O governador do BNA ainda aproveitou para falar do crescimento do crédito à economia real angolana em 22, 6 por cento, em 2025, o equivalente a 1, 4 biliões de kwanzas.
A seu ver, os dados sobre o crédito à economia real mostram sinais encorajadores, dado o crescimento de 22, 6 por cento em relação ao ano passado, embora inferior aos cerca de 30 por cento em 2024.
Com efeito, Manuel Tiago Dias observa que o crescimento do crédito à economia real está a contribuir para o desenvolvimento da actividade económica em vários sectores, particularmente agricultura, pescas, agro-pecuário, indústria transformadora, entre outros.
Segundo o gestor, os sectores da actividade económica beneficiaram do crédito à economia, quer no âmbito do Aviso nº 10/2024 do BNA, quer também com recurso aos diversos instrumentos de financiamento implementados com o suporte do Governo.
Na perspectiva do BNA, admite que, embora relativamente importante, os rácios do crédito à economia, por exemplo sobre o Produto Interno Bruto, mostram níveis ainda muito baixos.
E sinaliza que a partir de 2019, altura em que começou a implementação do Aviso 10 do BNA e, particularmente, nos dois últimos anos, notou-se um grande dinamismo dos bancos comerciais na concessão do crédito à economia.
Política Monetária
De igual modo, fez saber que o Comité de Política Monetária, reunido nos dias 13 e 14 de Dezembro de 2025, decidiu pela redução da taxa BNA, que é a taxa directora da política, de 18,5 para 17,5 por cento.
Sustentou, no entanto, a decisão do Comité de Política Monetária do BNA em função dos resultados alcançados, particularmente no mês de Dezembro último.
Conforme Manuel Tiago Dias, no período em referência, a taxa mensal de inflação foi de apenas 0,95 por cento, uma taxa significativamente mais baixa do que a taxa registada no igual período de anos anteriores.
O governador do Banco Nacional de Angola igualmente salientou que o referido comité decidiu manter a taxa de facilidade permanente de absorção de liquidez em 16,5 por cento.
“O que se espera, com a redução das taxas de política, particularmente a taxa directora, é que essa redução rapidamente se possa fazer sentir a nível do mercado monetário interbancário e posteriormente nas taxas activas praticadas pelos bancos comerciais, nas operações de concessão de crédito aos seus clientes”, disse.
Neste contexto, prevê que o cidadão começará também a sentir uma maior estabilidade da economia e menor pressão sobre as suas poupanças, sobretudo os agentes económicos que poderão ter acesso a crédito com taxas mais baixas.
A expectativa, realçou, é de que os agentes económicos continuem a realizar operações de investimento, que muito contribuem para o aumento da oferta na economia e, consequentemente, na contínua redução da inflação esperada tanto em 2026, quanto nos anos posteriores.
Painéis sobre “Apresentação sobre os sectores real e externo”, “Crédito ao sector real da economia”, “Sector monetário” e “Mercado Cambial” marcaram a sessão do balanço e perspectivas da Política Monetária e Cambial, realizada pelo Banco Nacional de Angola em Benguela.

