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Segunda, 28 Junho 2021 20:11

"João Lourenço ajuda a estabilizar os Grandes Lagos", diz ex-embaixador dos EUA

O ex-enviado especial dos Estados Unidos para os Grandes Lagos J. Peter Pham considerou que a região está “mais estável" e “pacífica”, em parte graças ao envolvimento e influência do Presidente angolano, João Lourenço.

Especialista em temas africanos e membro do centro de estudos Atlantic Council, o embaixador foi enviado especial dos EUA para a região dos Grandes Lagos durante dois anos, entre 2018 e 2020.

Em entrevista à agência Lusa, considerou que “a região tornou-se muito mais estável, muito mais pacífica, com um clima muito melhor para investimento do que era há três anos”.

A transição democrática pacífica na República Democrática do Congo, o fim do conflito aberto entre Uganda e Ruanda e a melhoria da situação no Burundi são alguns dos casos referidos, além de Angola.

"Angola tinha um grande potencial como um país que não tinha conflito e tinha recursos, mas estava um pouco desvinculada da região”, lembrou.

Desde que João Lourenço se tornou Presidente, acrescentou, o país está mais envolvido nos problemas regionais, lembrando a mediação para apaziguar as tensões entre Uganda e Ruanda e, mais recentemente, procurando uma solução para a República Centro-Africana (RCA).

O Presidente da República de Angola pediu nas Nações Unidas, na quarta-feira, mais apoio internacional à paz e segurança na RCA, neutralização das forças dissidentes no país, respeito do cessar-fogo e suspensão do embargo de armas.

A intervenção no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, sobre a RCA, foi feita na qualidade de presidente da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL).

“Nos últimos anos, desde que João Lourenço [se tornou Presidente de Angola], tem sido uma influência muito boa”, disse Pham, que foi recentemente nomeado administrador não executivo do grupo de telecomunicações Africell, que opera em vários países africanos, incluindo Angola.

Pham também foi enviado especial dos Estados Unidos para a região do Sahel, entre 2020 e janeiro de 2021, deixando o posto quando cessou a administração de Donald Trump.

Sobre a melhor forma de procurar estabilidade política e social na região, o ex-enviado especial dos Estados Unidos defendeu que a comunidade internacional deve estar aberta aos processos africanos, que por vezes parecem “excessivamente complexos” e “errados", mas que produzem resultados.

“Estes processos nem sempre recebem a atenção que merecem, mas são muitas vezes os precursores para uma solução realmente sustentável, razão pela qual eu acredito fortemente em apoiar, na medida do possível, as soluções lideradas pela África”, argumentou.

Na sua opinião, “a internacionalização deve ser o último recurso e não a primeira opção”.

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