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Terça, 22 Agosto 2023 18:15

Brasil é o quinto fornecedor de bens a Angola, aves e açúcar lideram exportações

O Brasil é o quinto fornecedor de bens a Angola, com as trocas bilaterais a atingirem 1,4 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros) em 2022, destacando-se as aves e o açúcar entre as principais exportações brasileiras.

Segundo os dados mais recentes da Apex, datados de abril de 2023, o Brasil exportou 640 milhões de dólares (587 milhões de euros) para Angola, sobressaindo as “Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas” e os “Açúcares e melaços” entre as dez categorias de produtos mais exportadas (no primeiro e segundo lugar, respetivamente).

Estas duas categorias, juntamente com os “Despojos comestíveis de carnes preparados ou preservados”, representaram quase metade do valor das exportações, atingindo no seu conjunto os 296 milhões de dólares (272 milhões de euros), revela um relatório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) consultado pela Lusa.

Entre os produtos de maior valor acrescentado, destaca-se também o crescimento significativo nas exportações de “Veículos automóveis para transporte de mercadorias” e “Calçados” com um crescimento médio anual de 38,6% e 28,7%, respetivamente, entre 2018 e 2022

Entre 2018 e 2022, as exportações brasileiras apresentaram um crescimento médio de 8,8%.

O Brasil tinha uma participação de 4,7% no mercado angolano em 2021, semelhante a 2013, sendo 2008 o ano em que se registou um maior fluxo de comércio.

Em contrapartida, apesar de a balança comercial ser favorável a Angola em 2022, este país surge apenas no 56.º lugar como fornecedor do Brasil, vendendo sobretudo petróleo e produtos associados, que alcançaram 765 milhões de dólares (703 milhões de euros) num total de 768 milhões de dólares (705 milhões de euros), representando 99,7% das exportações angolanas.

“Em 2022, houve um aumento expressivo das importações brasileiras do petróleo angolano, o que fez com que o saldo da balança comercial fosse negativo. Essa foi apenas a segunda vez em que isso aconteceu na série histórica desde 2003”, salienta a Apex.

No documento consultado pela Lusa, a Apex identifica como oportunidades para as exportações brasileiras os setores de “Máquinas e equipamentos de transporte”, “Produtos alimentícios” e “Artigos manufaturados” (como calçados, vidros temperados, talheres, medicamentos e produtos farmacêuticos).

A agência brasileira tem ainda um projeto setorial com foco em Angola, no setor de Casa e Construção, que tem como entidade parceira o Instituto Nacional do Plástico (INP).

Atuam presentemente no mercado angolano cerca de 200 empresas brasileiras ou pertencentes a brasileiros.

Investimento brasileiro em Angola cresceu 67% entre 2020 e 2021

Angola é o principal destino do capital brasileiro em África, com o investimento a crescer 67% entre 2020 e 2021 para 1,24 mil milhões de dólares (1,14 mil milhões de euros), recuperando o patamar atingido em 2012.

Em termos comparativos, o segundo principal destino do capital brasileiro na região africana é a África do Sul, que absorve 103 milhões de dólares (94 milhões de euros) em 2021, segundo os dados mais recentes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), de abril deste ano.

Os investimentos estão sobretudo direcionados para infraestruturas, sendo a Odebrecht a empresa dominante, participando em sete projetos, (Novo Aeroporto de Luanda; Aproveitamentos Hidroelétricos de Laúca e Cambambe; Porto da Barra do Dande; Refinaria de Petróleo de Cabinda e Fábrica da Biocom).

Quanto aos projetos “greenfield” anunciados (investimentos de raiz), a Apex destaca o investimento na nova sede regional da Transdata (‘software’) numa nova sede regional, com valor estimado de 27 milhões de dólares (24,8 milhões de euros) em 2023, e o escritório de turismo da Globalis, a rondar os 2 milhões de dólares (1,836 milhões de euros) em 2015.

Em termos de investimentos de Angola no Brasil, após um pico em 2013 de 1,5 mil milhões de dólares (1,38 mil milhões de euros), o capital angolano investido no Brasil fixou-se em 2021 nos 65 milhões de dólares (59 milhões de euros), equivalente a uma contração de 95% em relação ao início da década.

“Alguns fatores económicos podem ter contribuído para essa redução: crise económica em Angola, por conta da queda nos preços do petróleo, a partir de 2014, principal produto de exportação de Angola; recessão económica no Brasil entre 2015 e 2016”, justifica a Apex.

Entre os projetos “greenfield” sinalizados, destacam-se o projeto da Angola Cables, do setor de telecomunicações, na construção de um “data center” em Fortaleza, estimado em 134 milhões de dólares (123 milhões de euros) em 2019 e, posteriormente, o anúncio da sua expansão no valor estimado de 40 milhões de dólares (36 milhões de euros).

“As similaridades linguísticas e culturais podem ser uma importante ponte de investimentos entre os países”, destaca a Apex.

O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que viajou para a cimeira dos BRIC na África do Sul, visita Angola entre sexta-feira e sábado, antes de seguir para São Tomé e Príncipe para participar na conferência de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Os temas económicos estarão entre os pontos centrais da agenda de Lula da Silva, que vai participar na sexta-feira num Fórum Económico onde estará presente também o seu homólogo angolano, João Lourenço.

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