Angola e Cabo Verde passam a integrar uma lista, atualizada na terça-feira nas páginas oficiais (travel.state.gov), que integra agora 38 estados e que já incluía a Guiné-Bissau desde 01 de janeiro e São Tomé e Príncipe desde 23 de outubro de 2025.
No caso de Cabo Verde, os EUA são um dos principais países da diáspora e o arquipélago vai jogar, este ano, o seu primeiro Mundial de futebol em solo norte-americano.
“Cabo Verde vai integrar o Programa de Caução para Concessão de Vistos dos EUA. Qualquer cidadão ou nacional que viaje com passaporte cabo-verdiano — independentemente do local onde apresente o pedido — que seja considerado elegível para um visto de negócios/turismo (B1/B2) dos EUA terá de prestar uma caução até 15.000 dólares”, lê-se no aviso publicado no Facebook pela embaixada norte-americana na Praia.
O montante será determinado “por um funcionário consular durante a entrevista de visto” e “a caução será reembolsada se o titular cumprir todas as condições do visto e sair dos Estados Unidos antes do termo do período de permanência autorizado”, detalhou.
Os vistos B1/B2 válidos já emitidos mantêm-se válidos, acrescentou a embaixada.
O peso da ligação cabo-verdiana aos EUA reflete-se no valor das remessas de emigrantes em divisas para o arquipélago.
As remessas são um pilar da economia e atingiram um recorde de 30,6 mil milhões de escudos (278 milhões de euros), em 2024, cerca de um terço das quais com origem nos Estados Unidos.
O pedido de caução é a mais recente medida da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, para apertar os requisitos de entrada nos EUA, que incluem a obrigatoriedade de cidadãos de todos os países sujeitos a visto comparecerem a entrevistas presenciais.
As autoridades norte-americanas defendem a exigência das cauções – que podem variar entre 5.000 e 15.000 dólares (cerca de 4.200 euros a 12.800 euros) – sustentando que são eficazes para garantir que cidadãos dos países visados não permaneçam nos EUA para além do prazo do visto.
O pagamento da caução não garante a concessão do visto, mas o montante será reembolsado caso o visto seja recusado ou quando o titular do visto demonstre que cumpriu os respetivos termos.
Trump já tinha ordenado ainda a proibição total de entrada nos EUA para cidadãos do Afeganistão, Burkina Faso, Chade, Eritreia, Guiné Equatorial, Haiti, Iémen, Irão, Laos, Líbia, Mali, Myanmar, Níger, República Popular do Congo, Serra Leoa, Síria, Somália, Sudão e Sudão do Sul.

