Sexta, 25 de Setembro de 2026
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Sexta, 25 Setembro 2026 16:01

Marcolino Moco saúda novo movimento cívico e apela ao poder para evitar novas frustrações

O antigo primeiro-ministro angolano e ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, saudou o surgimento do Movimento Cívico Todos, considerando a iniciativa uma nova oportunidade para encontrar soluções para os problemas que afectam Angola.

Numa publicação na sua página, Moco afirmou ter recebido com “surpresa agradável” a notícia do nascimento do movimento, criado recentemente e apresentado como uma iniciativa cívica de intervenção na sociedade angolana.

“Saúdo o nascimento do Movimento Cívico Todos”, escreveu o antigo governante, que reconheceu, contudo, algumas reservas quanto à heterogeneidade da composição e das ideias que estarão presentes no novo movimento.

Para Marcolino Moco, essa diversidade suscita interrogações sobre a consistência e a capacidade de actuação do grupo num período que considera particularmente “curto e intenso”. Ainda assim, o antigo primeiro-ministro afirma que a idoneidade das pessoas envolvidas e o local escolhido para o lançamento da iniciativa — o Auditório das Irmãs Paulinas — lhe renovam a esperança numa possível resposta ao que identifica como o “problema fundamental actual de Angola”.

Na leitura de Moco, esse problema está relacionado com a existência prolongada de um “Estado de permanente exclusão”, que, segundo sustenta, tem contribuído para o agravamento do empobrecimento da sociedade angolana “em todos os sentidos”.

O antigo dirigente do MPLA deixa também um apelo aos detentores do poder político para que encarem a iniciativa como mais uma manifestação pacífica em defesa de soluções para o país.

Moco considera que os sucessivos apelos dirigidos ao poder não devem resultar em novas frustrações capazes de aprofundar a confrontação política e social. “Só espero que isso seja considerado como mais um dos muitos apelos pacíficos que têm sido dirigidos aos detentores do poder em Angola, evitando mais frustrações que possam extremar posições”, escreveu.

Na mesma publicação, o antigo primeiro-ministro faz referência à proposta de “pacto de estabilidade” apresentada pela UNITA, considerando que a iniciativa poderá representar uma oportunidade para o actual Presidente da República promover uma saída para as dificuldades do país “com a maior elevação possível”. É neste contexto que Moco recorre, de forma irónica, à referência aos Prémios Nobel: “Quem sabe apareçam os primeiros ‘Nóbeis’, em Angola?”

Na parte final da sua mensagem, Marcolino Moco recupera uma estrutura frásica associada ao antigo Presidente José Eduardo dos Santos para deixar um apelo directo aos responsáveis pelo poder em Angola.

Recordando que, na sua perspectiva, José Eduardo dos Santos acabou por não ouvir “os derradeiros conselhos de pessoas avisadas”, Moco dirige-se àqueles que, nas suas palavras, “se apresentam com a faca e o queijo de Angola nas mãos”.

O antigo primeiro-ministro termina com uma advertência centrada na necessidade de evitar desperdícios de recursos públicos e, sobretudo, novas vítimas no contexto de iniciativas cívicas e políticas. “Nem mais um kwanza a desperdiçar e sobretudo nem mais uma morte para se tentar desmantelar iniciativas a favor de Angola e de Todos”, escreve.

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