Terça, 09 de Junho de 2026
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Terça, 09 Junho 2026 11:16

Juiz condenado a cinco anos de prisão por desbloqueio de contas bancárias de antigo PCA do INEA

O Tribunal Supremo condenou esta terça-feira o juiz José Pereira Lourenço a uma pena de cinco anos de prisão efectiva pelo crime de peculato, encerrando um dos processos judiciais mais mediáticos dos últimos anos envolvendo um magistrado em Angola.

Além da pena de prisão, o tribunal determinou que o arguido restitua ao Estado angolano mais de 700 mil dólares norte-americanos, acrescidos de uma taxa de justiça no valor de 150 mil kwanzas.

Durante o julgamento, ficou provado que José Pereira Lourenço, então juiz do Tribunal da Comarca de Belas, no município do Benfica, ordenou o desbloqueio ilegal de contas bancárias de particulares, entre as quais a do antigo director-geral do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), Joaquim Sebastião.

Segundo os factos apurados em tribunal, o magistrado terá autorizado a retirada ilícita de mais de um milhão de dólares da conta bancária do antigo responsável do INEA. Em audiência, Joaquim Sebastião confirmou ter constatado o desaparecimento daquela quantia da sua conta.

Outros declarantes ouvidos no processo contribuíram igualmente para sustentar a acusação, tendo os seus testemunhos sido considerados determinantes para a convicção dos juízes do Tribunal Supremo relativamente às práticas ilícitas atribuídas ao arguido.

Na leitura do acórdão, o tribunal sublinhou que José Pereira Lourenço falhou gravemente no exercício das suas funções enquanto magistrado e guardião da legalidade, destacando ainda a ausência de sinais de arrependimento pelos actos praticados.

Os juízes consideraram provado que o arguido utilizou fundos pertencentes a particulares em benefício próprio, apesar de ter plena consciência da ilegalidade e ilegitimidade da sua conduta. O colectivo de juízes entendeu que, pela natureza das suas funções e pelo conhecimento das suas responsabilidades, o magistrado não poderia ignorar as consequências dos seus actos.

Face à gravidade dos factos, o Tribunal Supremo aplicou uma pena única de cinco anos de prisão efectiva pelo crime de peculato.

Entretanto, a defesa do magistrado já reagiu à decisão. O advogado José Miguel interpôs recurso com efeito suspensivo, o qual foi aceite pelo tribunal. A medida permite que o arguido continue em liberdade enquanto aguarda a apreciação do recurso, uma vez que respondeu ao processo sem estar sujeito a prisão preventiva.

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