Terça, 12 de Mai de 2026
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Terça, 12 Mai 2026 16:36

Assessoria de Higino Carneiro questiona apoio do Bureau Político a João Lourenço

A assessoria do pré-candidato à presidência do MPLA Higino Carneiro questionou o apoio manifestado pelo Bureau Político do partido à recandidatura de João Lourenço, considerando que o posicionamento do órgão levanta dúvidas quanto à legalidade e à ética do procedimento adotado no âmbito da corrida à liderança da formação política.

As declarações foram feitas por Paulo Guimarães, assessor do general na reforma e ex-governante angolano, que reagiu ao anúncio formal da recandidatura de João Lourenço à presidência do MPLA no quadro do IX Congresso Ordinário do partido, marcado para dezembro.

Segundo Paulo Guimarães, a entrada de João Lourenço na disputa interna “era previsível” e não altera a estratégia da candidatura de Higino Carneiro, cujo processo de recolha de assinaturas decorre, segundo afirmou, dentro dos prazos estabelecidos.

“O presidente João Lourenço concorrer era um cenário que sempre esteve contemplado na nossa estratégia. Não é algo estranho para nós e acreditamos que esta corrida será muito interessante”, afirmou o assessor, em declarações à agência Lusa.

A candidatura de João Lourenço foi formalizada na segunda-feira pelo deputado do MPLA João de Almeida Martins, conhecido como “Jú Martins”, com a entrega de 11.118 assinaturas à comissão de candidaturas do partido.

Pouco antes, o Bureau Político do MPLA havia tornado público o seu “apoio incondicional” ao actual líder do partido e Presidente da República, posição que está agora a ser contestada pela equipa de Higino Carneiro.

“Não foi uma declaração de apoio individual, mas sim o apoio de um órgão do partido. Não sabemos se o procedimento é legal ou ético e esperamos que as instâncias competentes avaliem se tudo está conforme”, declarou Paulo Guimarães.

Apesar das reservas quanto ao posicionamento do Bureau Político, a assessoria de Higino Carneiro garante que continua focada na preparação da candidatura e no processo de recolha de subscrições exigidas para a formalização da corrida ao cargo máximo do MPLA.

De acordo com Paulo Guimarães, o processo decorre “com normalidade”, embora tenha sofrido alguns atrasos devido à introdução de novos formulários pela comissão de candidaturas, o que obrigou a repetição de parte do trabalho já realizado.

A candidatura de Higino Carneiro pretende apresentar um número de assinaturas superior ao mínimo exigido pelos estatutos do partido, como forma de prevenir eventuais irregularidades ou exclusões administrativas.

A assessoria apelou ainda aos militantes do MPLA para acompanharem e fiscalizarem o processo interno, defendendo que o actual momento representa “um marco histórico” para o partido, numa altura em que várias figuras manifestaram intenção de disputar a liderança da organização política.

Além de Higino Carneiro e João Lourenço, também José Carlos Almeida, António Venâncio e Irene Neto já manifestaram interesse em concorrer à presidência do MPLA.

Segundo os regulamentos do partido, os candidatos deverão apresentar pelo menos 5.000 assinaturas válidas de militantes em pleno gozo dos seus direitos estatutários, incluindo um mínimo de 250 subscrições em cada uma das 21 províncias de Angola.

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