Sábado, 25 de Junho de 2022
Follow Us

Quinta, 03 Fevereiro 2022 20:38

Miala o detector de Golpe de Estado dispõe de meios para evitar sublevação

A África, por culpa das suas lideranças, tornou-se num continente onde são usadas todas fórmulas que a mente humana é capaz de imaginar para conquistar e preservar o poder.

Uma das fórmulas mais usadas recorrentemente, é o golpe de Estado que, no caso concreto de Angola, nunca se evidenciou claramente, embora, não raras vezes, já se tenha referido à sua tentativa.

A Grande tentativa de golpe de Estado, em Angola, só se verificou em 1977, o que hoje prefere-se chamar "fraccionismo".

De lá até pelo menos em 2002, houve guerra fractricida e atroz. A partir daí, até aos dias que correm, acusações e mal-entendidos não passaram disso mesmo. Até porque há gente que, desprovida de argumentos técnica e politicamente elaborados, socorre-se a jogos baixos com a intenção de semear ódio entre irmãos.

No entanto, Angola tem o 'azar' de fazer amizades com países onde os golpes ou tentativas de golpes, propriamente ditas, ocorrem sempre que a apetência pelo poder penetrar na mente dos militares.

Internamente, o país cuida-se com todos meios que dispõe para, além de garantir a paz  defender a soberania nacional. É, de resto, essa mensagem que tem passado aos 'amigos golpeados e golpistas.

A Guiné Konacry é exemplo disso mesmo. Amiga de Angola, bastou uma visita do Presidente João Lourenço àquele país irmão, para despoletar um golpe de Estado.

Ao nível continental já tinha havido golpe de Estado no Zimbábue (amigo de Angola), Gâmbia, no Burkina Faso, no Sudão e tentativa no Mali e agora na Guiné Bissau

E o general que travava golpes de estado em África?

A questão que se coloca é se Angola tem conseguido passar a mensagem ou técnicas de como travar golpes ou sublevações. O general Fernando Garcia Miala, que dispensa apresentações em matéria de segurança, tinha fama, ao nível de África, como detector de Golpes de Estado, enquanto homem entendido em matéria de segurança externa.

Depois de vários anos sem 'operar', Miala é indicado pelo Presidente da República para comandar a secreta angolana, onde assume os sucessos e os deslizes do organismo.

Internamente, Angola faz tudo para melhorar cada vez mais a sua imagem a nível internacional, mas esses passos têm sido lentos.

Cada vez mais relatórios colocam o país numa posição desconfortável. No fundo, não tem havido trabalho de inteligência aturado no sentido de ajudar o Executivo a melhorar alguns aspectos que podem ser decisivos no melhoramento da sua imagem.

 Erros que estremecem a ‘bófia’

 Por exemplo, tem de ajudar o país a não deixar que mais contentores de dinheiro saiam do circuito oficial. A menos que o desafio seja ajudar o seu próprio descrédito. Hoje por hoje, o número de armas em mãos de civis é cada vez mais grande, apesar de campanhas extensas da sua recolha, que não chegou a ser coerciva, apesar de incisivas promessas.

Enquanto a obtenção de uma arma de fogo for mais fácil que um saco de arroz, aí sim, a segurança nacional pode ser ameaçada.

Enquanto os paióis forem acessíveis a todos militares, tal como o dinheiro é para todos os responsáveis pelas finanças, com os contentores de dinheiro a desaparecerem, a segurança nacional fica de alguma forma ameaçada.

O mesmo se pode dizer em relação o enquadramento na polícia e FAA, onde delinquentes considerados altamente perigosos pela própria corporação recebem os mesmos delinquentes com direito a ter acesso a guarnição do Ministério do Interior.

Gastar dinheiro para aliciar entidades com certo peso nas organizações em que estão inseridas, para inverter factos, piora o que está bem, e pode ameaçar a segurança nacional.

Simular desaparecimento de armamento na Casa Militar do Presidente da República, para "cavar-se" culpados e objectivos, em nada contribui para segurança nacional.

Até agora, algumas das actividades principais dos Serviços Secretos estão muito aquém do expectável.

Na essência de secreto já não têm nada, pois as suas acções chegam aos ouvidos dos visados numa velocidade cruzeiro.

Estudos que protegem Os serviços secretos, sabiamente dirigidos pelo general Fernando Garcia Miala, têm dado alguns passos dignos de serem aplaudidos.

Sabe-se que Miala foi decisivo na resolução do problema dos militares reformados junto da Caixa de Segurança Social das FAA, evitando desta forma o ciclo de manifestações que se desenhavam.

Trata-se de um número considerável de homens que dominam a arte militar e que poderiam criar pânico caso se rebelassem.

Estes, sim, podem ameaçar a segurança do país. Apesar de não ser ainda boa a condição desses reformados, deu-se um bom passo para frente, faltando, agora, uniformizar as pensões de que têm direito.

As pensões estão desajustadas, havendo militares da mesma patente com ordenados diferentes. Isso é que pode gerar instabilidade, já que eles entendem que só saindo às ruas, na véspera de eleições, é que as pensões podem ser ajustadas.

A contínua identificação de pessoas que mexeram no erário para o benefício pessoal, tal como aconteceu muito recentemente no Cuando Cubango, em larga escala, pode ajudar a evitar grandes males, pois quem sem travão algum consegue subtrair dezenas de milhares de kwanzas durante décadas, também tem poder de obter armas de fogo com menor dificuldade.

É que, tal como nos referimos, em Angola, as armas são adquiridas todos os dias, com pequenas somas de dinheiro, sem os serviços secretos se aperceberem ou a fazerem vista grossa.

Diga-se, em Angola, o Golpe de Estado só pode ocorrer se não se tiver atenção aos problemas mais prementes da população, inclusive das forças de defesa e segurança que são decisivas para qualquer sublevação popular.

Os partidos políticos dificilmente podem desencadear um golpe, devido a hetogeneidade das forças de defesa e segurança.

Quando se diz que algumas forças da oposição pretendem atingir o poder a todo custo ou fora dos circuitos democráticos, está-se apenas a animar o discurso político, pois, na realidade, tal acusação não é exequível.

Ouve-se de alguns partidos políticos dizeres segundo os quais já não vão permitir "mais uma fraude eleitoral". Trata-se de um caso a ter em conta, sem que isso signifique que vão derrubar o governo.

Mais do que ninguém, os serviços de segurança podem accionar mecanismos próprios para se aferir a quantidade e qualidade de informação que for a receber, integrando todos os dados. NMC

Rate this item
(1 Vote)