Quinta, 02 de Dezembro de 2021
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Terça, 14 Setembro 2021 15:20

Eduardo dos Santos já se encontra em Angola desde a manhã desta terça-feira

O antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, regressou esta terça-feira ao país, depois de permanecer cerca dois anos em Barcelona, Espanha, apurou a ANGOP.

O ex-Chefe de Estado, que se deslocou a Barcelona em Abril de 2019, desembarcou no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, por volta das 11h00.

À sua espera no aeroporto estavam elementos do protocolo de Estado e algumas figuras do seu tempo de Chefe de Estado, como o general José Maria, que foi o seu chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM).

"Vim receber o camarada Presidente José Eduardo porque ele merece. Não tinha como não me fazer presente neste momento", disse em declarações ao Novo Jornal o general "Zé Maria" visivelmente emocionado.

"Dei-lhe um aperto de mão muito forte, conversámos alguns momentos e depois ele foi para a sua casa", descreveu ainda o antigo chefe do SISM.

O MPLA ainda não se pronunciou sobre a vinda do seu antigo líder, o mesmo acontecendo com o seu sucessor, João Lourenço, que se encontra atualmente numa visita de trabalho à província do Cuanza Norte, desconhecendo-se se está previsto algum encontro entre os dois.

Observadores angolanos mostram-se expectantes com regresso, do antigo Presidente, José Eduardo dos Santos ao país, dois anos depois de ter se deslocado a Espanha, para exames médicos de rotina.

O activista social João Mavindele desconfia que o regresso ao país de José dos Santos pode ser uma tentativa de conciliação com o actual Presidente da República, João Lourenço, e com o seu partido, o MPLA.

Segundo Mavindele, líder da ONG Omunga, o antigo Presidente da República continua a ser uma figura que se deve ter em conta no processo de reconciliação, não obstante as suas falhas governativas.

“Independentemente do cidadão José Eduardo dos Santos ser ex-Presidente, temos que olhar na perspectiva de cidadão e ele goza dos mesmos direitos assim como qualquer um de nós. O seu regresso é bem-vindo, mas também pode significar alguma tentativa de conciliação no seio do partido, MPLA, porque estamos a falar de uma figura emblemática ao nível do seu partido e também do país."

O politólogo Olívio Kilumbo entende que, apesar do nível de crispação que se verifica no seu partido, José Eduardo dos Santos ainda é um património dos angolanos, por ser o único ex-Presidente vivo.

O também professor universitário  considera  que a vinda do ainda presidente da Fundação Eduardo dos Santos visa  apaziguar as águas, porque, a seu ver, José Eduardo dos Santos ainda representa  um ponto de equilíbrio para solucionar alguns problemas no MPLA, que realizará o seu congresso no mês de Dezembro.

 Kilumbo não duvida que o Ex-presidente ainda seja uma figura que pode influenciar pela positiva ou pela negativa, visto que permanece  uma voz autorizada para alguns militantes da sua organização partidária.

“José Eduardo dos Santos é um património dos angolanos, por ser o único Presidente vivo. O MPLA tem um congresso em dezembro e ele é um ponto de equilíbrio para arrumar ou desarrumar a situação. Ele é uma figura que esteve 38 anos na gestão do MPLA e do país, portanto, tem uma voz a dizer, porque pode conseguir um espaço de influência positiva tanto como pode acirrar”, alertou Olívio Kilumbo.

Desde que João Lourenço assumiu o poder, em setembro de 2017, os colaboradores e familiares de José Eduardo dos Santos foram alvo de processos judicias em Angola, sobretudo os seus filhos Isabel dos Santos e José Filomeno dos Santos.

José Eduardo dos Santos, de 79 anos de idade, chegou ao cargo de Presidente da República em Setembro de 1979, na sequência da morte de António Agostinho Neto.

Ocupou as funções durante 38 anos, até Setembro de 2017, altura em que foi sucedido pelo actual Presidente da República, João Lourenço.

Além de Presidente da República, José Eduardo dos Santos foi Comandante-em-Chefe das Forças Armadas de Angola (FAA) e presidente do MPLA, partido que governa o país desde a proclamação da independência nacional, a 11 de Novembro de 1975. C/NJ/RFI

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