Numa publicação na sua página pessoal, Moco denuncia ter sido, "mais uma vez", vítima dessas manobras, depois de ter voltado a circular — apresentado como se fosse recente — um vídeo seu de apoio à UNITA/FPU, gravado durante a campanha eleitoral de 2022. Segundo o antigo chefe do executivo, essa intervenção foi feita enquanto cidadão independente, sem qualquer filiação partidária e sem pretensões a lugares na Assembleia Nacional ou a outros cargos político-partidários.
O antigo governante explica que o seu propósito era, na altura, contribuir para uma tentativa de ultrapassar aquilo que descreve como um sistema constitucional gravoso, que empobrece o país sem necessidade real, tanto do ponto de vista formal como material. Recorda que era precisamente essa mudança que a UNITA/FPU, então liderada por Adalberto Costa Júnior, prometia com clareza — um desígnio que, na sua leitura, só não se concretizou devido à falta de transparência do processo eleitoral.
Moco admite que, isoladamente, o vídeo poderia ser interpretado apenas como uma peça reaproveitada pelos serviços de propaganda da UNITA, sem grande significado político, até por poder não voltar a repetir-se em futuras campanhas por razões de ordem procedimental. Reafirma, no entanto, que a UNITA nunca lhe foi "coisa repelente", sublinhando o seu regresso ao sistema político oficial desde os Acordos de Bicesse, em 1991, num percurso que classifica como um mérito próprio do partido e um gesto de homenagem à paz e à reconciliação nacional.
O antigo secretário-geral do MPLA alerta, contudo, para o facto de esse capítulo histórico estar a ser "perigosamente escamoteado" junto de sectores mais jovens do partido, mesmo depois da paz definitiva alcançada em 2002 — um esquecimento que, na sua opinião, serve para reavivar antigas hostilidades e que poderá provocar reações pouco benignas do lado oposto do espectro político. Moco diz gostar de poder transmitir directamente a essa nova geração o desgaste inútil vivido por causa de ideologias forjadas para sustentar posições de exclusividade política.
É em torno da legenda que acompanhou a difusão do vídeo — "Moco mostra, finalmente, a sua camisola Kwacha" — que o antigo primeiro-ministro concentra a sua crítica mais dura. Para Moco, a frase serve simultaneamente dois propósitos: por um lado, reactiva o rótulo de "traidor", habitualmente atribuído a quem se afasta daquilo que descreve como uma "pátria sagrada" chamada MPLA, ainda que já depois da paz formal estabelecida no país; por outro, recupera o termo "kwacha" com a carga pejorativa que, segundo o próprio, lhe foi atribuída por alguns sectores do MPLA em determinada fase da conturbada história política angolana, associando-o a um antigo lema da UNITA.
O texto termina com uma interrogação dirigida ao país: para quando a verdadeira paz e o verdadeiro sentido da palavra "Pátria" em Angola.

