Quinta, 25 de Junho de 2026
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Quinta, 25 Junho 2026 11:29

Higino Carneiro entrega candidatura à liderança do MPLA e denuncia pressões

O general na reforma Higino Carneiro entregou hoje a sua candidatura à liderança do MPLA com mais de 19 mil subscrições, apesar de "pressões" e "perseguições" durante a recolha de assinaturas, que denunciou internamente.

Higino Carneiro chegou à sede do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) ainda antes das 10:00, acompanhado da sua equipa e com vários caixotes contendo as subscrições recolhidas, um número superior às 11 mil assinaturas entregues pelo mandatário de João Lourenço quando este formalizou a sua recandidatura, em maio.

"Acabámos de ser atendidos na subcomissão de candidaturas para responder aos estatutos e concorrer ao congresso. Apresentamos a moção de estratégia e as subscrições, um volume grande, mais de 19 mil", declarou o candidato aos jornalistas, acrescentando que o processo de entrega incluiu ainda o registo criminal, cartão de militante, bilhete de identidade e comprovativo de quotas, faltando apenas uma declaração de aceitação.

O general admitiu que encontrou alguns obstáculos pelo caminho, afirmando que a primeira campanha de recolha, quando já tinham sido reunidas mais de 10 mil assinaturas, teve de ser interrompida, obrigando a equipa a percorrer novamente as 21 províncias no último mês.

"Houve pressões, houve perseguições, (quando) as pessoas estavam a tentar trazer as subscrições" afirmou, acrescentando que foi necessário chamar pontualmente a policia para dirimir os conflitos e proteger as pessoas envolvidas "nesta empreitada".

A equipa de apoio de Higino Carneiro tinha denunciado no início deste mês alegadas campanhas de intimidação e sabotagem nas províncias do Moxico, Malanje e Kwanza Norte, onde indivíduos encapuzados e armados teriam agredido apoiantes e roubado listas de assinaturas.

Higino Carneiro disse ter tratado os incidentes como assuntos internos, optando por não os tornar públicos mas fazendo-os chegar à comissão nacional do partido.

"Tratei de fazer uma denúncia sobretudo para chamar a atenção ao respeito pelos estatutos", declarou, expressando confiança que a subcomissão "vai respeitar a transparência, a integridade e a legalidade" previstas nos estatutos e no regulamento eleitoral.

Apesar dos "contratempos", o pré-candidato considerou que a fase de recolha terminou com sucesso, com apoio de militantes, simpatizantes e da diáspora.

"O mais importante é que conseguimos cumprir o que prometemos", disse, sublinhando que o número de subscrições reunidas revela "o querer dos militantes" e que o partido tem de respeitar os seus militantes.

Sobre as diligências judiciais da Procuradoria-Geral da República (PGR), que na terça-feira o notificou de uma acusação por peculato e branqueamento de capitais, Higino Carneiro invocou a presunção de inocência e declarou: "fomos surpreendidos, vamos esperar pelos desenvolvimentos".

Higino Carneiro solidarizou-se ainda com o também pré-candidato António Venâncio, que se encontrava igualmente na sede do MPLA incentivando mais militantes a apresentarem candidaturas.

"O que fizemos agora terminou com sucesso, mas a verdadeira empreitada começa agora", concluiu.

O atual presidente do MPLA e Presidente da República, João Lourenço, que se recandidatou à liderança do partido em maio, foi o primeiro a formalizar a sua candidatura.

A Constituição angolana impede-o de concorrer a um terceiro mandato presidencial, mas se vencer o congresso de dezembro, João Lourenço poderá indicar o candidato do MPLA às eleições gerais de 2027.

O IX Congresso Ordinário do MPLA realiza-se a 9 e 10 de dezembro de 2026. O prazo para entrega de candidaturas termina a 25 de outubro.

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