Sábado, 28 de Março de 2026
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Congelamento das contas pela Justiça portuguesa impede pagamentos. Investidora diz que já pediu para desbloquear

Economistas angolanos convergiram hoje, em Luanda, na ideia de que a economia do país se encontra “num estado de emergência” e que, devido à baixa do preço do barril de petróleo, a situação é “muito má”.

A caracterização foi hoje feita por um grupo de economistas nacionais numa mesa redonda sobre “O Estado da Economia em Angola e suas Repercussões sobre Outros Setores”, promovida pela Oficina do Conhecimento, organização criada em 2008 por jovens académicos angolanos com o objetivo da partilha de conhecimento.

Carlos Rosado de Carvalho, Rui Malaquias (na foto), António Estote e Precioso Domingos foram os oradores na mesa redonda, que olhou para o estado da economia do país depois da baixa do preço do barril do Brent, aliada à pandemia do novo coronavírus.

Em declarações no final do evento, António Estote disse que a economia nacional agora “é caracterizada por um estado de emergência, devido à redução drástica do preço do barril do petróleo, que vai exigir esforços do Ministério das Finanças, sobretudo a nível das despesas”.

“Aquilo que aconselhamos ao Ministério das Finanças é a redução das despesas, sobretudo no congelamento de alguns projetos menos prioritários e uma verdadeira consolidação fiscal a nível das despesas públicas”, referiu.

O economista sublinhou que o país está numa situação estrutural, de círculo vicioso da dívida, com uma taxa excessiva de endividamento público.

“E também podemos entrar em ‘default’, no cumprimento do serviço da dívida, uma vez que o petróleo é a única fonte líquida de divisas para a nossa economia”, frisou.

Por sua vez, Carlos Rosado de Carvalho classificou como “muito mau” o estado atual da economia, que “já era mau”.

“E agora foi agravado com esta coisa do Covid-19, depois também a guerra entre a Rússia e Arábia Saudita. Nós dependemos muito do petróleo, mas isso não é o nosso problema. O nosso problema é nós não sermos capazes de produzir outras coisas que não o petróleo e não é o Estado que vai produzir bens e serviços, quem vai produzir são os privados”, realçou.

O economista angolano frisou que o papel do Estado “devia de ser o de criar condições” para captar investimentos privados, ou seja, criar um bom ambiente de negócios.

“É isso que não está a acontecer e em muitos casos não é preciso dinheiro para se criar um bom ambiente de negócios. Para combater a burocracia não é preciso dinheiro, pelo contrário, se combatermos a burocracia nós até poupamos dinheiro”, afirmou.

Carlos Rosado de Carvalho criticou também as escolhas menos acertadas do Governo, nomeadamente selecionando projetos de investimento que não são prioritários, “como o caso do metro de superfície, do hospital para dirigentes, das compras de carros, entre outros, e que dá sinais errados à população”.

“O Governo quer privatizar a economia, mas em muitos casos antes de privatizar está a aumentar o seu peso na economia, nomeadamente diz que queria vender 25% da Unitel e o que acabou por fazer foi comprar mais 25% e ter agora 50% da Unitel, basicamente mandar na Unitel e ao mandar na Unitel manda no BFA”, exemplificou.

A companhia mineira Rare Earths anunciou hoje que o Fundo Soberano de Angola passou a deter 4,8% das ações através do investimento de 2 milhões de dólares na empresa, para financiar um projeto em Longonjo.

A agência de notação financeira Fitch Ratings considerou hoje que a descida dos preços do petróleo devido aos receios com o surto de Covid-19 é o principal risco para as economias africanas exportadoras, como Angola.

Foi o único candidato a formalizar uma proposta para operar a 4.ª licença da rede móvel. A empresa de origem libanesa está em quatro mercados - RDC, Uganda, Serra Leoa e Gâmbia. Tem no total 12 milhões de clientes activos.

A subsidiação aos combustíveis custou à Sonangol 1,4 mil milhões USD em 2019, valor equivalente à divida que a petrolífera tem aos fornecedores de refinados. Ao longo dos anos, a Sonangol tem suportado a subsidiação, o que deverá acontecer novamente este ano para que o OGE 2019 Revisto não apresente défice orçamental.

O Tribunal de Luanda nomeou como representantes especiais do BANC seus acionistas, nomeadamente Kundi Paihama, Banco Económico, S. A. e a Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas, por desconhecer o paradeiro dos antigos responsáveis do Conselho de Administração, indiciados como causadores do rombo financeiro

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