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Sexta, 12 Junho 2026 11:59

Trabalhadores da ELISAL denunciam repressão policial durante segundo dia de greve

Os trabalhadores da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (ELISAL) denunciaram esta sexta-feira alegados actos de repressão policial durante o segundo dia da greve iniciada na quinta-feira, numa paralisação convocada para exigir o cumprimento de um conjunto de reivindicações laborais pendentes.

Segundo relatos da comissão sindical, os funcionários procuravam concentrar-se junto à sede da empresa, no município do Cazenga, para cumprir o período de greve nos termos previstos pela Lei da Greve e pela Constituição da República. No entanto, afirmam ter sido impedidos de se aproximar das instalações por efectivos da Polícia Nacional destacados para o local.

De acordo com os trabalhadores, a operação policial envolveu um forte contingente, incluindo agentes da Unidade de Reacção e Patrulhamento (URP), que terão recorrido ao uso de bastões e gás lacrimogéneo para dispersar os grevistas.

Os manifestantes asseguram que a sua intenção era apenas exercer um direito legalmente consagrado, manifestando o descontentamento face ao incumprimento do caderno reivindicativo apresentado à entidade patronal. Entre as principais exigências constam aumentos salariais, melhoria das condições de trabalho e a implementação de compromissos anteriormente assumidos pela administração da empresa.

Fontes ligadas ao movimento grevista indicam ainda que a presença policial se mantém nas imediações da sede da ELISAL, onde persistem alegações de intimidação aos trabalhadores. Há igualmente relatos de detenções, embora, até ao momento, não tenham sido divulgados números oficiais.

A paralisação foi convocada pela comissão sindical da empresa, que acusa a direcção da ELISAL de não ter cumprido os pontos constantes do caderno reivindicativo entregue no final de 2025. Segundo o sindicato, a greve estava inicialmente agendada para 18 de Janeiro deste ano, mas acabou por ser suspensa após um entendimento alcançado com a administração.

Os representantes dos trabalhadores alegam, contudo, que os compromissos assumidos na altura não foram concretizados, levando à retoma do protesto.

Contactada para comentar a situação, a direcção da ELISAL prometeu prestar esclarecimentos sobre a greve, mas até ao fecho desta edição ainda não tinha emitido qualquer pronunciamento oficial.

O caso surge num contexto de crescente contestação laboral em vários sectores do país, com sindicatos a denunciarem dificuldades no diálogo social e atrasos na implementação de acordos alcançados entre trabalhadores e entidades empregadoras.

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