Segundo relatos, os preços das corridas são alterados no momento da recolha, apesar de já estarem previamente definidos no aplicativo, alegando os motoristas que os preços precisam ser alterados.
A denúncia é sobretudo de estrangeiros, que preferiram ocultar suas identidades, mas manifestaram as inconveniências destes acontecimentos ocasionados pelos táxis de aplicativos que operaram no novo aeroporto, Dr. António Agostinho Neto. “Como é habitual, quando se chega de viagem, procura-se por um táxi num aplicativo para chegarmos aos nossos destinos.
Feito o pedido do táxi a partir do aplicativo da Yango ou Heetch, aparece o valor fixo ou estimado, mas quando o motorista chega impõe outro preço, geralmente mais alto, dizendo que é o valor praticado no novo aeroporto” explicou um dos usuários que se vê constrangido com esta situação e se diz vítima de extorsão. Feita uma ronda ao aeroporto Dr. António Agostinho Neto, simulação confirma a denúncia.
Para verificar as queixas, a equipa de reportagem do jornal O País realizou uma simulação no local. A repórter solicitou um táxi da Yango com destino ao Talatona. No aplicativo, o valor apresentado variava entre 8 e 11 mil kwanzas. Minutos depois, ao entrar em contacto com o motorista no estacionamento do aeroporto, veio a confirmação antes de entrar no carro. “O preço real não é o que aparece no aplicativo; nesta localidade, o aplicativo fornece procura baixa, a empresa precisa actualizar os preços.
Daqui até ao Talatona são 16 mil kwanzas. Mas vai depender da senhora", disse o motorista que tentava negociar com a passageira, no caso, a repórter. Esta recusou o valor e informou que iria cancelar a corrida.
A resposta foi curta: "Sem problemas", disse o motorista, encerrando o contacto.
"Eles não estão autorizados a trabalhar aqui"
Motoristas autorizados a operar no aeroporto afirmam que a presença de táxis de aplicativo tem cria do conflitos e prejuízos financeiros. Santo António, motorista de uma das cooperativas licenciadas naquele aeroporto, explica que os taxistas autorizados pagam taxas elevadas para operar naquele es paço.
"Pagamos cerca de 40 mil kwanzas por semana, que perfaz mais de 100 mil kwanzas por mês, além de outras despesas com o patrão. Mesmo assim, temos de disputar clientes com motoristas de aplicativo que não estão autorizados a trabalhar aqui", afirmou.
Segundo ele, as corridas feitas pelas cooperativas autorizadas têm preços fixos, que variam entre 20 e 30 mil kwanzas, justamente por causa dos custos operacionais e garantem mais segurança pelo facto de estarem cadastrados no aeroporto.
Miguel, outro motorista aeroportuário, confirma a prática denunciada. "Os táxis da Yango e He-etch não podem estar perfilados aqui na frente porque não estão autorizados, não pagam a exploração de aeroporto, sendo assim, ficam no parque de estacionameto, captam os clientes pelo aplicativo e, quando chegam, alteram o preço fora da plataforma. Já nós, das cooperativas autorizadas, trabalhamos com preços fixos e dentro das normas."
Empresas apelam à denúncia em qualquer tentativa de alteração de preço forçada pelo motorista
Referente à inquietação dos passageiros, Benjamin António, representante da Yango Ride em Angola, confirmou que já receberam este tipo de reclamação e é categórico em dizer que a empresa não está de acordo com esta prática dos motoristas, e os preços fixados no aplicativo são estes que devem ser praticados.
"Os motoristas tém um contrato, devem aceitar os valores gerados electronicamente e os passageiros, por sua vez, fazer o pagamento do valor que aparece fixado no aplicativo da Yango" referiu Benjamin António, que incentivou os passageiros a reclamar e a fazer denúncia a partir do aplicativo, no sentido de identificar o motorista. No caso do passageiro ser abordado antes de iniciar a corrida, o responsável aconselha o cancelamento desta e a reclamação no suporte.
"Só assim conseguimos tomar medidas internas, pois, já vimos estas reclamações no nosso suporte, sendo que os motoristas foram penalizados. Apelamos a todos os passageiros a persistirem com as denúncias destas e outras infrações para podermos dar respostas aos constrangimentos causados pelos motoristas" disse. Álvaro de Veciana, director geral da Heetch, disse ser incorrecta a afirmação dos motoristas de que os preços para o Aeroporto Dr. António Agostinho Neto não estão ajustados, uma vez o aplicativo calcula as tarifas com base e em diversos elementos, entre os quais, a distância e a duração da viagem, procurando sempre o equilibrio entre a capacidade financeira do passageiro e a rentabilidade para o motorista. "Este ajuste é fundamental para garantir a sustentabilidade e a disponibilidade do serviço. A especulação de preços, pratica da por alguns motoristas, constitui uma violação grave das nossas normas", afirmou.
Todavia, Álvaro de Veciana, director-geral da Heetch, disse ter conhecimento de que alguns motoristas, por considerarem as tarifas pouco atractivas, tentam negociar valores à margem do aplicativo, pelo que reitera que esta é uma violação grave das normas da empresa.
"Ao aceitar uma corrida fora do aplicativo, o passageiro perde toda a cobertura de segurança e monitorização em tempo real que a He-etch oferece", lembrou.
Para terminar, o responsável disse que também estão a trabalhar activamente na identificação e bloqueio de motoristas que optam por especular preços ou que insistem em realizar viagens fora do aplicativo, mas que importa-lhe apelar a todos os passageiros a nunca aceitarem valores diferentes dos indicados no aplicativo, e que devem denunciar imediata mente qualquer tentativa de alteração de preço forçada pelo motorista, sendo que a denúncia pode ser feita através da linha de apoio 225 416 000 ou no próprio aplicativo. OPAIS

