Segundo o relato enviado à redação, os trabalhadores afirmam que os salários têm vindo a sofrer atrasos — uma situação que, de acordo com os mesmos, “nunca aconteceu nem nos períodos mais difíceis que Angola atravessou”. A denúncia aponta ainda para um cenário de crescente endividamento, redução nas vendas e alegada falta de medidas eficazes para inverter o quadro financeiro da empresa.
No documento, os funcionários questionam a atuação da tutela e da administração da companhia, defendendo que os responsáveis máximos deveriam reconhecer os sinais de desequilíbrio entre receitas e despesas. “Sai mais do que entra”, refere o texto, que alerta para o risco de agravamento das dívidas internacionais e eventuais constrangimentos operacionais no exterior, caso os compromissos financeiros não sejam regularizados.
A denúncia menciona diretamente nomes da atual gestão, incluindo Miguel Carneiro e Iuri Neto, acusando-os de alegada má gestão, celebração de contratos considerados prejudiciais à empresa e de beneficiarem de privilégios enquanto a situação financeira se deteriora. As acusações incluem ainda suspeitas de favorecimento e conivência por parte da tutela, embora não sejam apresentados, até ao momento, documentos comprovativos das alegações.
Os trabalhadores apelam à intervenção de entidades públicas, como o Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE) e o Ministério das Finanças, solicitando uma averiguação independente à gestão da companhia. “Há quem queira falar”, sublinham, reforçando que muitos colaboradores temem pelo futuro dos seus postos de trabalho e pelo impacto da crise na imagem internacional de Angola.
Até ao fecho desta edição, não foi possível obter um posicionamento oficial da administração da TAAG nem do Ministério de tutela relativamente às acusações apresentadas.
A TAAG, enquanto companhia aérea de bandeira nacional, desempenha um papel estratégico na conectividade do país e na projeção da imagem de Angola no exterior, pelo que a situação descrita pelos trabalhadores poderá ter implicações económicas e institucionais relevantes caso venha a confirmar-se.
O Jornal continuará a acompanhar o desenvolvimento deste caso.

