Maratonas de rua de comes e bebes em Angola era uma antiga prática na governação do antigo Presidente José Eduardo dos Santos.
Os eventos reuniam os principais músicos da atualidade e eram realizados em datas de comemoração nacional, mas também havia os permanentes.
As bebidas alcoólicas eram comercializadas a preços baixos e a juventude passava muito tempo nestes locais. Embora fossem organizadas para proporcionar lazer, as maratonas eram criticadas por alegadamente terem como objetivo distrair os jovens com a finalidade de não criticarem o Governo.
Recentemente, o popular político do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Bento Kangamba, anunciou o retorno destes eventos. Mas há quem pense que tal anúncio tem fins eleitoralistas.
É o caso de Inocêncio de Brito, responsável da Associação Mudar Viana, uma ONG que trabalha maioritariamente com jovens.
"Essa retoma das maratonas é um completo insulto dos angolanos e sobretudo da juventude. Fica aqui demostrado que os dirigentes do MPLA, não têm capacidade de persuadir os jovens para que votem neles de forma consciente".
Uma questão com "múltiplas camadas"
O ativista entende ainda que a retoma das maratonas "não tem nada a ver com lazer".
"Porque se pudéssemos falar de lazer, podemos falar aqui de criação de campos desportivos nas comunidades e nas escolas que podem desenvolver tanto o intelecto como o físico dos jovens."
Já o cientista politico angolano Eurico Gonçalves defende que as maratonas de comes e bebes em época eleitoral podem "ser lidas em múltiplas camadas".
"Por um lado, proporciona o lazer e inclusão social, por outro reflete uma forma de ativação emocional e racional do eleitorado próximas das abordagens contemporâneas do marketing político. Não se trata apenas de entretenimento é também construção de proximidades, reforço da marca e da imagem politica e nos alinhamentos, incluindo o chamado voto útil."
Além da questão eleitoral, levanta-se também a questão da fonte de financiamento das maratonas que poderão ser levadas a cabo. Eurico Gonçalves considera que deve "centrar-se na legitimidade e na transparência".
"A angariação de fundos para fins políticos quando clara e voluntária tende a reforçar a relação entre os atores políticos e a sociedade na sua inteireza" , conclui. DW

