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Terça, 07 Abril 2026 12:37

“Bento Kangamba anuncia regresso das maratonas: diversão ou arma política em ano eleitoral?”

As maratonas de comes e bebes em Angola podem estar de volta nos próximos dias. O anúncio foi feito por Bento Kangamba, popular dirigente do MPLA. A prática visa distrair a juventude em época de eleições?, questiona-se.

Maratonas de rua de comes e bebes em Angola era uma antiga prática na governação do antigo Presidente José Eduardo dos Santos.

Os eventos reuniam os principais músicos da atualidade e eram realizados em datas de comemoração nacional, mas também havia os permanentes.

As bebidas alcoólicas eram comercializadas a preços baixos e a juventude passava muito tempo nestes locais. Embora fossem organizadas para proporcionar lazer, as maratonas eram criticadas por alegadamente terem como objetivo distrair os jovens com a finalidade de não criticarem o Governo.

Recentemente, o popular político do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Bento Kangamba, anunciou o retorno destes eventos. Mas há quem pense que tal anúncio tem fins eleitoralistas.

É o caso de Inocêncio de Brito, responsável da Associação Mudar Viana, uma ONG que trabalha maioritariamente com jovens.

"Essa retoma das maratonas é um completo insulto dos angolanos e sobretudo da juventude. Fica aqui demostrado que os dirigentes do MPLA, não têm capacidade de persuadir os jovens para que votem neles de forma consciente".

Uma questão com "múltiplas camadas"

O ativista entende ainda que a retoma das maratonas "não tem nada a ver com lazer".

"Porque se pudéssemos falar de lazer, podemos falar aqui de criação de campos desportivos nas comunidades e nas escolas que podem desenvolver tanto o intelecto como o físico dos jovens."

Já o cientista politico angolano Eurico Gonçalves defende que as maratonas de comes e bebes em época eleitoral podem "ser lidas em múltiplas camadas".

"Por um lado, proporciona o lazer e inclusão social, por outro reflete uma forma de ativação emocional e racional do eleitorado próximas das abordagens contemporâneas do marketing político. Não se trata apenas de entretenimento é também construção de proximidades, reforço da marca e da imagem politica e nos alinhamentos, incluindo o chamado voto útil."

Além da questão eleitoral, levanta-se também a questão da fonte de financiamento das maratonas que poderão ser levadas a cabo. Eurico Gonçalves considera que deve "centrar-se na legitimidade e na transparência".

"A angariação de fundos para fins políticos quando clara e voluntária tende a reforçar a relação entre os atores políticos  e a sociedade na sua inteireza" , conclui. DW

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