A História que se Repete
O século XX trouxe o boom do petróleo, uma riqueza que poderia ter transformado profundamente as economias africanas. Contudo, em muitos casos, limitámo-nos a construir bombas de abastecimento para vender o produto refinado, sem investir nas refinarias que multiplicariam o valor do recurso. O resultado foi previsível: dependência externa, perda de soberania e exportação de riqueza.
Hoje, vivemos o boom do digital. Uma vez mais, estamos a repetir o mesmo erro. Promovemos o consumo de plataformas estrangeiras, usamos redes sociais e serviços digitais externos, mas não criamos as nossas próprias infraestruturas tecnológicas. Estamos a ser consumidores, não produtores.
O Valor das Plataformas
No mundo digital, as plataformas são as refinarias.
- São elas que capturam dados, organizam transações e concentram poder.
- São elas que definem regras de mercado e distribuem riqueza.
- Quem controla plataformas controla o futuro da economia digital.
Ao ficarmos apenas no consumo, exportamos diariamente valor em forma de dados, publicidade e taxas de transação. É como vender petróleo bruto sem refinar.
Oportunidade Estratégica
A criação de plataformas nacionais não é apenas uma questão tecnológica, mas de soberania.
- Estratégica: garante autonomia e posicionamento competitivo.
- Econômica: gera empregos, inovação e retenção de riqueza.
- Financeira: abre novas fontes de receita e reduz a dependência externa.
Mobilizadora: inspira confiança e identidade nacional, mostrando que somos capazes de criar e liderar.
Um Chamado à Ação
Se no petróleo perdemos a oportunidade de transformar a riqueza em soberania, no digital não podemos cometer o mesmo erro. Precisamos investir em plataformas próprias, capazes de competir e de servir os nossos cidadãos e empresas.
O futuro não pertence a quem consome, mas a quem cria.
O digital é o novo petróleo — e as plataformas são as refinarias que definirão quem terá poder e quem será apenas dependente.
Por: Tomás Alberto

