A informação foi tornada pública pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), que comunicou ao mercado a redução da participação qualificada na instituição financeira na sequência da alienação da totalidade das acções detidas pela Congolian Financial no banco.
Segundo o regulador, a operação envolveu a transferência de 1.140.806 acções representativas do capital social do BFA, bem como dos respectivos direitos de voto, para os fundos AXIOS – Fundo Especial de Investimento em Valores Mobiliários Fechado de Acções, de Subscrição Particular, e ASSET – Fundo Especial de Investimento em Valores Mobiliários Fechado, de Subscrição Particular.
A transacção foi concretizada a 20 de Janeiro de 2026, através da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), no âmbito de uma estratégia de reorganização patrimonial conduzida pelos empresários Nelson Fidel Candundo Carrinho e Rui Alves Candundo Carrinho, accionistas da Congolian Financial.
Em contrapartida pela transferência dos títulos, a sociedade recebeu unidades de participação nos dois fundos de investimento, mantendo uma exposição económica indirecta aos activos anteriormente detidos. Ainda assim, a operação produziu efeitos relevantes do ponto de vista societário e regulatório, uma vez que os direitos de voto deixaram de estar directamente associados à Congolian Financial.
Com a conclusão da operação, a sociedade deixou de reunir os requisitos legais necessários para manter o estatuto de participação qualificada no capital do BFA, situação que obrigou à sua divulgação ao mercado nos termos da legislação aplicável às sociedades abertas.
Embora a transacção não implique necessariamente alterações no controlo efectivo dos activos subjacentes, representa uma mudança significativa na forma como a participação é detida e gerida. Especialistas do sector financeiro observam que este tipo de operações tem vindo a ganhar relevância em Angola, acompanhando uma tendência internacional de utilização de fundos de investimento como instrumentos de gestão patrimonial e optimização de activos.
A crescente adopção destas estruturas permite uma maior flexibilidade na administração de participações empresariais, ao mesmo tempo que favorece a diversificação e a profissionalização da gestão dos investimentos. Contudo, também coloca novos desafios em matéria de transparência e acompanhamento das cadeias de controlo económico em empresas consideradas estratégicas.
A comunicação da CMC enquadra-se nas obrigações de transparência impostas aos participantes do mercado de capitais, destinadas a assegurar que investidores e demais intervenientes tenham conhecimento de alterações susceptíveis de influenciar a estrutura accionista das sociedades emitentes.
O BFA continua a destacar-se como uma das instituições financeiras mais relevantes do sistema bancário nacional. Desde a abertura parcial do seu capital ao mercado, o banco tem despertado interesse crescente por parte de investidores institucionais e privados, mantendo um papel central na evolução do mercado de capitais angolano.
A operação agora divulgada representa uma das alterações mais significativas registadas na estrutura accionista do BFA desde a sua entrada no mercado, reflectindo a crescente sofisticação dos mecanismos de gestão patrimonial adoptados pelos principais grupos empresariais do país.

