A informação foi divulgada pela OnTour, subsidiária do grupo Omatapalo, através de um comunicado. Segundo a empresa, o acordo foi formalizado a 11 de Março de 2026, mediante a assinatura de um contrato com o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).
O contrato prevê a cessão do direito de exploração e gestão das infra-estruturas, com opção de compra, no âmbito do processo de privatização destas unidades hoteleiras.
O acordo tem validade de 12 anos e abrange o Hotel Bina e três unidades da rede IU Hotel Soyo — Torres A, B e C. De acordo com o comunicado, está previsto um plano de investimentos destinado à manutenção, reabilitação e modernização das instalações.
A privatização destas infra-estruturas enquadra-se numa decisão do Presidente da República, tomada em 2024, que determinou a alienação de várias unidades hoteleiras da rede IU através de concurso limitado por prévia qualificação. As modalidades incluíam a cessão do direito de exploração, gestão e eventual venda dos activos.
No total, 15 hotéis foram transferidos para a gestão do IGAPE, com o objectivo de encontrar parcerias públicas ou privadas que permitissem concluir obras, redefinir a finalidade de alguns empreendimentos e garantir a sua exploração comercial. Entre as unidades incluídas neste processo estão hotéis localizados no Caxito, Luena, Malanje, M’Banza Congo, N’Dalatando, Ondjiva, Soyo, Uíge, Lobito e Santa Clara.
Paralelamente, outras 12 unidades das redes IU, IKA e BINA foram entregues ao Instituto de Fomento Turístico (INFOTUR), incluindo hotéis situados no Lubango, Talatona, Cacuaco, Cuito, Huambo, Luena, M’Banza Congo, N’Dalatando, Sumbe e Viana.
O despacho que determinou estas transferências estabeleceu ainda que o processo deveria salvaguardar os postos de trabalho existentes.
Os hotéis fazem parte de um conjunto de 39 unidades apreendidas em 2020 ao empresário luso-angolano Carlos de São Vicente, no âmbito de investigações relacionadas com alegados desvios de fundos públicos.
Antigo dirigente do grupo segurador AAA, São Vicente foi condenado em Março de 2022 pelo Tribunal de Luanda a nove anos de prisão efectiva pelos crimes de peculato, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
De acordo com a acusação, o empresário terá montado um esquema que lhe permitiu retirar da Sonangol mais de 900 milhões de dólares, através de operações relacionadas com o sistema de seguros e resseguros do sector petrolífero.
O processo, conhecido publicamente como o “caso dos 900 milhões”, ganhou notoriedade internacional depois de investigações divulgadas por meios de comunicação suíços, tornando-se um dos casos judiciais mais mediáticos em Angola nos últimos anos.

