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Sexta, 09 Janeiro 2026 13:12

Ativistas angolanos admitem negociar local do fim da marcha e negam afronta às autoridades

A organização da marcha contra abuso sexual de meninas e mulheres marcada para sábado, em Luanda, disse hoje que vai manter o local da concentração, mas pondera negociar o local onde termina, negando querer afrontar as autoridades.

Segundo a ativista Rosa Conde, a organização recusou a proposta do Governo de Luanda, que autorizou a marcha, mas propos que os manifestantes se concentrem no Cemitério da Santa Ana e marchem até ao Largo das Escolas, uma proposta rejeitada pelos organizadores.

À Lusa, a ativista garantiu que vão manter o itinerário inicial - concentração Largo do São Paulo e término no Largo das Heroínas - recusando qualquer afronta às autoridades administrativas, mas ponderando negociar, com a polícia, o local final da marcha.

"[As autoridades] querem que nos concentremos na Santa Ana e marchemos até ao Largo das Escolas, mas isto não será possível porque a concentração não se pode alterar. Podemos tentar negociar o local do término da marcha, mas o local da concentração não vamos negociar", afirmou a ativista.

Rosa Conde, uma das promotoras da marcha que foi remarcada para sábado, após cancelamento da primeira tentativa há uma semana por impedimento das autoridades, negou que a posição dos organizadores seja uma afronta às autoridades.

A ativista fez saber que a organização vai se reunir hoje com o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional para abordara segurança dos manifestantes, garantindo que neste encontro será reafirmada a manutenção do percurso inicial.

"Nós não estamos aqui para confrontar com ninguém, vamos reunir-nos [com a policia) e vamos deixar o nosso ponto de vista: podemos tentar parar até às Torres da Dipanda ou largo do Soweto a quase mil metros do Largo das Heroínas o resto é conversa", referiu.

A responsável insistiu que a sociedade "está indignada" e quer apenas marchar para repudiar os crimes de abusos recorrentes em Angola, "que infelizmente estão a ser banalizados [pelas autoridades]": "É apenas isso que queremos e mais nada".

"Se eles vão ter isso como uma afronta, o problema é deles, queremos apenas marchar", rematou.

O Governo de Luanda autorizou a realização de uma marcha contra o abuso sexual de mulheres e crianças, marcada para sábado, mas propos alterar o percurso, invocando questões de segurança.

Na resposta enviada as entidades organizadoras, o Governo Provincial de Luanda indica que "não há qualquer objeção à realização da marcha, prevista para começar às 13:00, mas propõe que o trajeto tenha início no cemitério de Santa Ana e termine no Largo das Escolas, em vez do percurso inicialmente comunicado entre o Largo de São Paulo e o Largo das Heroinas.

A marcha contra a violência sexual face a menores e mulheres em Angola, surge na sequência do caso Belma, uma jovem de 15 anos vítima de agressões e abuso sexual, que gerou forte indignação pública e apelos a respostas mais eficazes das autoridades.

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