As declarações foram tornadas públicas através de um vídeo divulgado pelo Gabinete de Comunicação e Imagem da Presidência (GCIP) da UNITA, no qual o líder do maior partido da oposição procurou sublinhar a forma como a organização tem conduzido o seu processo interno de renovação política.
As declarações foram tornadas públicas através de um vídeo divulgado pelo Gabinete de Comunicação e Imagem da Presidência (GCIP) da UNITA, no qual o líder do maior partido da oposição procurou sublinhar a forma como a organização tem conduzido o seu processo interno de renovação política.
Adalberto Costa Júnior sustentou que a existência de múltiplas candidaturas deve ser entendida como sinal de maturidade democrática e não como factor de divisão interna.
Segundo o dirigente, “as múltiplas candidaturas não são símbolos de inimizades”, defendendo que o debate de ideias fortalece as organizações políticas. “Um candidato não representa pluralidade; dois candidatos trazem um debate plural”, frisou.
As declarações surgem num momento particularmente sensível da vida política nacional, marcado pelas movimentações internas no MPLA para o seu IX Congresso Ordinário, agendado para Dezembro, e pela reabertura do processo judicial contra o general Higino Carneiro, pré-candidato à presidência do partido no poder.
O antigo dirigente do MPLA denunciou recentemente a reactivação de um dossier que, segundo afirma, já se encontrava encerrado e arquivado desde 2025 pelas instâncias judiciais competentes.
Higino Carneiro sustenta que a reabertura do processo terá ocorrido de forma inesperada e aponta para a existência de uma “mão invisível” interessada em comprometer a sua candidatura à liderança do partido.
Nos bastidores políticos, cresce a percepção de que o caso poderá estar relacionado com a disputa interna que antecede o congresso do MPLA. Alguns sectores admitem que uma eventual constituição como arguido possa vir a servir de base para inviabilizar formalmente a sua candidatura através da Subcomissão de Candidaturas.
O episódio reacendeu o debate sobre a independência das instituições judiciais em Angola e sobre alegadas interferências políticas em processos conduzidos pelos órgãos de justiça.
Para observadores críticos, o caso expõe as fragilidades institucionais do sistema e coloca novamente em evidência a relação historicamente complexa entre justiça e poder político no país.
Num contexto de forte simbolismo político, as declarações de Adalberto Costa Júnior surgem como tentativa de contrastar o modelo interno da UNITA com as turbulências que marcam actualmente o principal partido no poder, reforçando a narrativa de alternância democrática e de abertura ao pluralismo político em Angola.

