Cambanje considera que a oposição, incluindo a UNITA, é “frágil”, pouco estruturada e sem propostas concretas de governação. Na sua leitura, trata-se de uma oposição “mais de reacção do que de acção”, incapaz de gerar confiança no eleitorado ou apresentar alternativas consistentes para o desenvolvimento do país. Chega mesmo a afirmar que espera que nunca alcance o poder, embora ressalve que a decisão final cabe sempre ao povo angolano.
Em contraste, sustenta que o MPLA reúne condições sólidas para vencer as próximas eleições com maioria qualificada. Essa convicção assenta, segundo explica, na forte capacidade de mobilização do partido, no seu enraizamento social e nos sinais de crescimento económico, sobretudo fora do sector petrolífero. Destaca ainda o próximo congresso do MPLA como um momento-chave de renovação interna, com aposta no rejuvenescimento e na reorganização das estruturas.
No plano governativo, Cambanje revisita a sua passagem como director-geral do Instituto de Supervisão de Jogos, sublinhando a modernização do sector. Durante o seu mandato, refere ter sido criado o enquadramento legal para o jogo online, promovida maior responsabilidade social dos operadores e reforçada a sensibilização para os riscos de adição. Um dos principais resultados apontados foi o aumento significativo das receitas fiscais, que passaram de menos de mil milhões para mais de 10 mil milhões de kwanzas.
Enquanto consultor do Ministério das Finanças, destaca o envolvimento em projectos estratégicos como a Refinaria de Cabinda, salientando a importância de conciliar os interesses do Estado com os dos investidores, nomeadamente através de soluções fiscais equilibradas e orientadas para o emprego e o desenvolvimento local.
Sobre o legado do Presidente João Lourenço, Cambanje identifica três traços principais: patriotismo, coragem e sensibilidade social. Aponta investimentos em sectores como a saúde como evidência de uma governação orientada para o bem-estar da população, ainda que reconheça desafios persistentes, como o combate à malária.
No domínio institucional, defende que o actual modelo de nomeação do Procurador-Geral da República não compromete a independência do sistema judicial, sublinhando que o essencial reside no exercício ético e legal das funções.
Quanto ao combate à corrupção, reconhece a complexidade na prova destes crimes e defende a adopção de mecanismos alternativos para recuperação de activos no exterior, incluindo compensações em bens.
Em síntese, a entrevista revela uma posição firme de defesa do MPLA e uma visão crítica da oposição, num contexto em que o país se prepara para um novo ciclo eleitoral em 2027.

