Print this page
Domingo, 22 Fevereiro 2026 23:40

Marcolino Moco ataca sistema e diz: “Há perseguições e eleições Opacas em Angola”

O antigo primeiro-ministro de Angola, Marcolino Moco, manifestou-se hoje publicamente, na sua página do Facebook, em solidariedade com os cidadãos que considera estarem a ser “vergonhosamente perseguidos por generais ‘Mialas’”, incluindo ele próprio. A declaração surge também como homenagem à luta do jornalista e dirigente sindical Teixeira Cândido, a quem reconhece coragem e firmeza na defesa das liberdades fundamentais em Angola.

Segundo Moco, trata-se de uma luta pacífica contra “um sistema que opera persistentemente contra as liberdades dos angolanos”. O antigo governante vai mais longe, afirmando que o atual contexto político é “pior que o regime colonial”, justificando que, durante o período colonial, havia a consciência explícita das restrições impostas, como a proibição do direito à autodeterminação e à independência das colónias.

Na sua análise, o sistema político vigente também supera negativamente o modelo de partido-estado que vigorou após a independência, o qual, recorda, foi formalmente abandonado com a assinatura dos Acordos de Bicesse, em 1991. Moco sustenta, contudo, que tal modelo terá sido “reconstituído de forma cobarde” após o Acordo de Paz de 2002, comprometendo as promessas de abertura democrática e reconciliação nacional.

O antigo primeiro-ministro defende que o país não deve precipitar-se para novas eleições que considera “opacas”, alertando para o risco de renovação de um regime que classifica como “vergonhoso”, sem que antes sejam resolvidas questões estruturais ligadas à verdadeira reconciliação nacional. Para Moco, essa reconciliação deve incluir não apenas a sociedade civil e as vítimas de conflitos e perseguições, mas também entendimentos internos entre figuras históricas do poder, referindo-se aos conhecidos “Mialas” e “Kopelipas”.

Como exemplo de possíveis caminhos, destacou o Congresso da Reconciliação Nacional realizado no final do ano passado sob a égide da Igreja Católica, onde jornalistas, juristas e militares apresentaram propostas consideradas relevantes no âmbito do reconhecimento de erros, pedidos de perdão e construção de uma reconciliação sentida e duradoura.

Para Marcolino Moco, o futuro de Angola depende de um compromisso sério com a justiça, a verdade e a inclusão. “Angola e as suas riquezas chegam para todos”, defende, sublinhando que o objetivo maior deve ser garantir um país mais justo e próspero para as próximas gerações — “especialmente para os nossos filhos e netos”.

Rate this item
(1 Vote)

Latest from Angola 24 Horas

Relacionados

Template Design © Joomla Templates | GavickPro. All rights reserved.