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Domingo, 17 Mai 2026 15:11

Angola vai fornecer mais de 2.000 megawatts de energia à RDC

A República Democrática do Congo (RDC) anunciou esta semana a intenção de adquirir mais de 2.000 megawatts de energia eléctrica a Angola, numa iniciativa destinada a reforçar o abastecimento energético às populações e ao tecido empresarial congolês.

O projecto representa uma das maiores operações de interligação energética transfronteiriça alguma vez concebidas em África e poderá consolidar Angola como um dos principais exportadores regionais de electricidade.

O tema esteve no centro da audiência concedida pelo Presidente angolano, João Lourenço, ao ministro dos Recursos Hídricos e Electricidade da RDC, Teddy Lwamba Muba Sakombi, realizada na tarde de quinta-feira, no Palácio Presidencial, em Luanda.

O encontro marcou um passo considerado decisivo para a concretização do projecto de interligação regional liderado pelo consórcio Meridia Energy, formado pelas empresas Somagec e Averi Finance, que entra agora na fase de execução.

Segundo as informações divulgadas, a Somagec ficará encarregue da concepção técnica do projecto, incluindo estudos de engenharia, viabilidade, definição do traçado das linhas de transporte e avaliação de impacto ambiental. Já a Averi Finance assume a liderança da componente financeira e da mobilização de capital necessário para a operação.

O modelo adoptado assenta num sistema de project finance inteiramente privado, sem recurso a fundos públicos nem garantias soberanas, uma solução ainda pouco comum em projectos de transmissão energética desta dimensão no continente africano. De acordo com os promotores, o financiamento das duas linhas de transmissão já terá sido integralmente assegurado pela Averi Finance.

A Meridia Energy formalizou igualmente os contratos com a Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT), garantindo a integração das futuras infra-estruturas na rede eléctrica nacional angolana e permitindo a expansão da capacidade de distribuição para o Leste do país.

O projecto contempla a construção de duas grandes linhas de transmissão. A principal, designada Linha Malanje–Saurimo–Luau–Kolwezi–Fungurume, terá cerca de 1.450 quilómetros de extensão e fará a ligação entre o interior de Angola e a região mineira do Copperbelt congolês, através de Dilolo. A segunda infra-estrutura, a Linha Soyo–Inga, contará com aproximadamente 180 quilómetros e ligará a região angolana do Soyo ao complexo hidroeléctrico de Inga, considerado o maior de África.

Segundo os responsáveis envolvidos, o arranque das obras deverá ocorrer nos próximos dias, estando prevista uma conclusão num prazo estimado de 18 meses.

A concessão do projecto já foi atribuída pelas autoridades da RDC, faltando apenas a aprovação final por parte do Estado angolano para que a Meridia Energy possa assumir formalmente a totalidade do investimento, em regime exclusivamente privado e sem encargos directos para os dois Estados.

As autoridades congolesas defendem que o acordo permitirá responder à crescente procura energética do país, que conta com mais de 100 milhões de habitantes. Durante a audiência em Luanda, Teddy Lwamba Muba Sakombi sublinhou que, apesar do elevado potencial hidroeléctrico da barragem de Inga, a RDC necessita de diversificar as suas fontes de abastecimento energético, considerando Angola um parceiro estratégico nesse processo.

A concretização da operação reforça também o posicionamento de Angola como actor central no mercado energético regional, num momento em que vários países africanos procuram acelerar investimentos em infra-estruturas eléctricas para responder ao crescimento populacional e industrial do continente.

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