De acordo com o grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), o executivo angolano, no plano económico, tem apresentado discursos otimistas que chocam com a realidade das familias.
"Os preços da cesta básica continuam a aumentar. Os salários perdem o poder de compra. O desemprego cresce, sobretudo entre os jovens. A economia continua dependente do petróleo. A agricultura, a indústria transformadora e as pequenas e médias empresas continuam sem financiamento", disse hoje a deputada Albertina Ngolo.
Na sua declaração política trimestral, na abertura da oltava reunião plenária ordinária que decorre na Assembleia Nacional, a presidente do grupo parlamentar da UNITA lamentou também a situação de "grande vulnerabilidade" em que se encontram "milhões" de angolanos.
Disse que "persistem", no pais, a precariedade dos serviços de saúde, as limitações no acesso à educação de qualidade, a falta de água potável, saneamento básico e a "inconsistência das políticas de combate à pobreza".
"As desigualdades socials e regionais continuam a ameaçar a coesão nacional. É inaceitável que, num pais tão rico em recursos, se normalize a sobrevivência como modo de vida", criticou.
Relativamente aos 24 anos de paz e reconciliação assinalados em 04 de abril, a deputada considerou que a situação política, económica e social do pais "continua marcada por problemas estruturais graves, que exigem reformas profundas e uma governação centrada no cidadão".
A deputada da UNITA enalteceu, por outro lado, a visita do Papa Leão XIV em Angola, que decorre entre 18 e 21 de abril, salientando que as suas intervenções apelaram ás autoridades a colocarem o bem comum acima dos interesses particulares.
O Papa, "na sua sapiência e, certamente, atento ao processo politico, foi mais incisivo ao dizer: sabei gerir conflitos, transformando os em caminhos de renovação", disse, defendendo um "trabalho conjunto" para a preservação da paz.
"Uma paz sem vencedores e vencidos, uma paz sem humilhação, sem recalcamentos e ressentimentos, uma paz que crie condições para uma reconciliação nacional genuina", frisou.
A deputada entende que no plano politico persistem em Angola sinais de enfraquecimento institucional e de redução do espaço democrático, "mantém-se a partidarização excessiva das instituições públicas, as limitações ao exercício das liberdades fundamentais e o desequilibrio no funcionamento do Estado democrático de direito".
Assinalou na sua intervenção que o parlamento tem procurado ser espaço de diálogo e consenso, mas, realçou, "continua confrontado com o desafio de se afirmar como verdadeiro órgão de fiscalização do executivo e como espaço de debate plural, "acima das conveniências partidárias, em defesa da separação de poderes.
Albertina Ngolo considerou também que, nos primeiros três meses de 2026, se confirmou uma "tendência perigosa": Angola "continua a ser governada por impulsos, propaganda e mecanismos de controlo, quando o pais precisa de uma governação previsiva".
"Não estamos apenas perante erros administrativos. Estamos perante um padrão de governação desastrosa. O Orçamento não conversa com a realidade. As políticas económicas carecem de base produtiva", apontou.
A presidente do grupo parlamentar da UNITA abordou também os ajustes diretos autorizados pelo Presidente angolano, João Lourenço, e considerou que estes "continuam a tornar-se método normal de governação"
*O que devia ser excepção, tornou-se regra", referiu.
No plano dos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos, a deputada criticou também a *criminalização da opinião e denunciou a situação dos ativistas Osvaldo Caholo e Serrote de Oliveira "General Nila" presos na sequência dos protestos de julho de 2025.
"Ha presos políticos nas Lundas e no Moxico. Prisões sem fundamento substantivo, sem transparência processual", lamentou ainda Albertina Ngolo..

