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Domingo, 05 Abril 2026 16:39

Marcolino Moco defende reconciliação nacional profunda no Dia da Paz em Angola

O antigo primeiro-ministro angolano Marcolino Moco assinalou o Dia da Paz em Angola com uma reflexão crítica sobre o clima político e social do país, defendendo a necessidade urgente de uma verdadeira reconciliação nacional e de um pacto de transição que permita consolidar uma Angola mais inclusiva, estável e progressiva.

Num texto de forte carga política e simbólica, o antigo governante alertou para o ressurgimento de um sentimento de medo entre cidadãos e actores políticos, associado, segundo sustenta, à percepção de riscos ligados à defesa de ideias divergentes sobre o futuro do país. Apesar de sublinhar que não existem provas institucionais ou familiares que permitam afirmar responsabilidades directas em mortes recentes de figuras públicas, Marcolino Moco considera inegável a existência de um clima de apreensão no espaço público.

Entre os casos referidos surge o de “Nandó”, apontado como tendo sido considerado em sectores do MPLA uma possível figura de consenso para uma eventual sucessão presidencial, bem como o do deputado Raul Eliseu Danda, destacado dirigente da UNITA, cuja actuação parlamentar contribuiu para reforçar a influência política do maior partido da oposição. Segundo o antigo primeiro-ministro, a ausência de esclarecimentos definitivos em torno de mortes de figuras politicamente relevantes alimenta receios persistentes na sociedade.

No mesmo texto, o ex-governante refere ainda sinais de inquietação entre sectores da elite política e social, apontando para receios ligados à perda de privilégios e até à segurança pessoal. Menciona igualmente declarações públicas da deputada Michaela Webba e recorda intervenções do antigo militante Raul Diniz sobre episódios de violência política no passado, incluindo acontecimentos anteriores ao fim da guerra civil, formalmente encerrada após os acordos de paz de 2002.

Na sua análise, Marcolino Moco refere que, ao longo dos anos, nomes de responsáveis alegadamente associados à chamada “máquina do medo” foram sendo mencionados em círculos restritos. Entre eles destaca o do general Fernando Garcia Miala, actualmente director do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado, cuja trajectória inclui um período de detenção e julgamento durante a presidência de José Eduardo dos Santos. O antigo primeiro-ministro recorda igualmente o papel histórico do general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior (Kopelipa), figura influente durante o anterior consulado presidencial e posteriormente visado no âmbito do combate à corrupção.

Sem atribuir responsabilidades directas, o político considera que a persistência de suspeitas e narrativas contraditórias contribui para fragilizar a confiança institucional e reforça a necessidade de um processo estruturado de reconciliação nacional. Para o antigo primeiro-ministro, tal processo deveria incluir reconhecimento mútuo, perdão político e garantias de não perseguição futura, evitando aquilo que descreve como “caça às bruxas”, prática que considera prejudicial para a estabilidade do país.

Marcolino Moco recorda ainda o papel do Congresso da Reconciliação Nacional promovido pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), realizado no ano passado, defendendo que as recomendações ali apresentadas continuam actuais e merecem acompanhamento político efectivo.

Ao assinalar os 24 anos da paz alcançada em 2002, o antigo primeiro-ministro conclui com um apelo à construção de uma reconciliação nacional efectiva, sustentada por reformas políticas profundas e pelo reforço da confiança entre instituições e cidadãos, como condição essencial para o futuro democrático de Angola.

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