Em comunicado, o Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA manifesta "profunda preocupação" com as revelações da Amnistia Internacional, considerando tratar-se de uma "prática gravissima, incompatível com o Estado Democrático de Direito e frontalmente atentatória à Constituição".
Segundo o maior partido da oposição angolana, a confirmarem-se os factos, estará em causa "a institucionalização de um sistema ilegal de monitorização de cidadãos, configurando um perigoso desvio autoritário e uma violação intolerável das liberdades fundamentais".
A UNITA exige ao Ministério Público "a abertura imediata de um processo de investigação independente, rigoroso e imparcial para apurar responsabilidades criminais e institucionais" e anunciou que vai solicitar, com caráter de urgência, a audição parlamentar dos responsáveis do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) e do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.
O partido manifesta também "total solidariedade" ao jornalista Teixeira Cândido e condena "com veemência qualquer prática de espionagem ilegal contra jornalistas, ativistas, políticos ou cidadãos comuns".
A Amnistia Internacional revelou esta semana que Teixeira Cândido foi alvo do 'spyware' Predator, um programa de espionagem altamente intrusivo que permite acesso aos dados, comunicações, microfone e câmara do telemóvel, sendo este o primeiro caso confirmado em Angola.
O jornalista, ex-secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, anunciou entretanto que vai apresentar uma participação ao Departamento Nacional de Investigação e Ação Penal, considerando que, caso haja envolvimento estatal, estará em causa um "abuso de poder".
A organização de defesa dos direitos humanos indicou que este tipo de 'spyware' tem sido utilizado em vários países contra jornalistas e ativistas, não tendo atribuído formalmente a origem do ataque no caso angolano.

